quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Voos domésticos e internacionais desaceleram

Os voos ainda estão cheios, e não começou a sobrar assento vago e barato para quem vai ao Rio, Nova York ou Paris. Mas a taxa de crescimento de passageiros, em voos nacionais e internacionais vem caindo rapidamente. Entre 2008 e 2010, a taxa de crescimento de passageiros voando no País foi superior a 10%, algo fabuloso, principalmente quando levamos em conta a fraca infraestrutura física e o pequeno ou quase inexistente investimento para suprir essa demanda. O quadro abaixo com números de agosto de 2011 ante agosto de 2010 é bastante esclarecedor.

Em agosto, os voos estritamente nacionais receberam 13% a mais de passageiros e os internacionais quase 6%. O acumulado do ano para as mesmas comparações atinge 20% e 16%, respectivamente. Ou seja, a percepção de desaceleração de emprego, renda, o incremento muito rápido nos últimos anos criando o fator estatístico base respondem por grande parte dessa redução do ritmo. Claro, a lotação e o esgotamento da capacidade também são fatores restritivos severos. Para se ter uma ideia, ao fechar 2011, o Brasil terá visto cerca de 100 milhões de passageiros transitando por seus terminais, um crescimento de 15% a 20% em relação a 2010. O número é grande, para nossos padrões. Mas, somente o aeroporto de Atlanta, na Geórgia (EUA) viu passarem em seus terminais 90 milhões de passageiros no ano passado. Se compararmos, vamos ver que o potencial desse mercado é muito maior, e sempre se justificariam investimentos, principalmente nos anos em que essa demanda estava crescendo mais aceleradamente ainda.
Em resumo, o volume da demanda por assentos em voos no Brasil, e, portanto, de infra-estrutura no solo, vem crescendo aceleradamente. Esse cenário deveria estar incentivando empresas a agredir mais esse setor, como seria de se esperar em uma economia totalmente de mercado. O fluxo de passageiros no Brasil ainda é muito pequeno perto do potencial, como se pode notar pela comparação com os Estados Unidos, por exemplo, e mesmo assim não damos conta do recado. Ou seja, nem mesmo com um potencial grande pela frente e uma taxa de crescimento presente relevante os investimentos são feitos. Isso explica porque o Brasil passou - e passa - por momentos de euforia de crescimento, seguidos rapidamente da ressaca expressa nos gargalos de infraestrutura e também sob a forma de inflação quando o mercado fica espremido entre a demanda crescente e a falta de capacidade de atendimento.

Não conseguimos atingir a idade adulta ainda, e as dores do crescimento nunca acabam. Uma pena porque é provável que essa falta de investimentos adequados e a crise mundial que se avizinha (senão crise, ao menos, uma redução do ritmo de crescimento) venham a reduzir o brilho que deveria estar emanando de um setor com o crescimento esplendoroso como o aeroviário nestes últimos anos.
Assessoria Técnica

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