terça-feira, 6 de setembro de 2011

Semana de recuperação

Os dados da economia oscilaram muito na semana passada, mas no fim da sexta-feira o resultado geral foi positivo para as bolsas, ainda que as últimas notícias deixem uma expectativa de queda no curto prazo. O País passa de fato por um bom momento, relativamente a outras economias, e, apesar da evidente desaceleração do PIB e do mau desempenho do setor industrial em relação a 2010, a tendência geral é de que o Brasil cresça mais do que a média global, e por um bom período de tempo. Durante a semana, até quinta as notícias eram extremamente positivas para o País e, adicionando-se a isso o preço baixo das ações no Ibovespa, a Bolsa chegou a subir 10% em quatro dias, recuperando parte da que no ano era de quase 30%. Na sexta-feira, embalada por realização de lucros, dados ruins de desemprego nos Estados Unidos e PIB desacelerando acabou recuando 3%.

No ano, o Ibovespa acumula queda de 18,4%, mas apenas na semana passada a recuperação foi de 6%. Ainda há sinais de riscos no curto prazo, mas o Ibovespa ao redor de 50 mil pontos de fato carrega indícios de que há pechinchas no mercado. Não adianta haver ações baratas se as perspectivas de curto e médio prazos forem ruins, mas certamente o País teve alguns motivos para o otimismo nestes últimos dias.

Em primeiro lugar, o anúncio de corte de mais R$ 10 bilhões de gastos do governo. Essa notícia caiu muito bem nos ouvidos dos mercados, e a percepção de que o governo entendeu quais são os riscos do descontrole e os benefícios de um ajuste conservador nas contas públicas é essencial. Nesta esteira, o Banco Central surpreendeu (positivamente) os mercados e derrubou 0,5pp a Selic que caiu de 12,5% para 12%. Não só indica que os juros vão poder decrescer um pouco mais na ponta do consumidor, mas também garante uma redução de gastos públicos com juros de, na pior das hipóteses, R$ 5 bilhões ao ano.

O lado negativo, que inverteu o humor dos mercados na sexta-feira, ficou por conta do anúncio do PIB pelo IBGE e pelo péssimo desempenho do mercado de trabalho nos Estados Unidos. Quanto ao PIB, a Fecomercio já havia, neste mesmo boletim, antecipado sua expectativa de crescimento menos robusto do que os mercados e o governo esperavam. Na realidade, nossa expectativa não será alterada com a divulgação (PIB de 3,5% no máximo neste ano), mas o mercado esperava algo a mais. Não veio. E, pior, a indústria dá sinais de que vai crescer 0% neste ano, principalmente por conta das medidas macro-prudenciais e também pelo câmbio. Para culminar, na sexta, o departamento de trabalho americano divulgou que a economia não criou empregos no mês de agosto, quando eram esperadas 60 mil novas aberturas de vagas. Novamente, para a Fecomercio a expectativa não surpreende, pois a tendência de crescimento e recuperação muito lenta das economias desenvolvidas já estava precificada por nós. Alguns dados que não vão nos surpreender até o final de 2011:

1.            PIB entre 3% e 3,5% no Brasil
2.            Inflação ao redor de 6%, mas caindo no final do ano
3.            Indústria Brasileira com crescimento 0% no ano
4.            Real ficará muito valorizado
5.            Déficit em Contas Correntes atinge US$ 55 bilhões, apesar dos recordes de exportação e de importação
6.            Estados Unidos cresce apenas 1,5% a 2%
7.            Desemprego nos EUA se mantém ao redor de 10%
8.            Europa terá novas ondas de crise de dívidas, e crescerá menos de 2%
9.            Japão praticamente não crescerá neste ano

Salvo mudanças muito radicais em alguma destas variáveis, não mudaremos os prognósticos que em grande medida já eram feitos no início do ano.

Para as próximas semanas, o Ibovespa ficará mesmo volátil, como previmos e como está de fato, com alguma tendência de queda no início desta semana por conta de realização de lucros e da digestão dos dados ruins do final da semana passada.

Assessoria Técnica

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