Mostrando postagens com marcador bolsa de valores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bolsa de valores. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Muito mais do mesmo

Agora são cinco semanas seguidas de altas no Ibovespa, que acumula no ano crescimento de quase 15% e as mesmas cinco semanas de queda no dólar. Na realidade o que ocorre no câmbio é a alta do real, pois a nossa moeda se valorizou frente a todas as outras e não somente frente ao dólar. Nossos boletins vinham alertando para esse comportamento há bastante tempo, dois meses ao menos. Vamos aos motivos:
Para o Ibovespa:
1.         O País continua a receber forte fluxo positivo de investimentos estrangeiros, sejam diretos, sejam em portfólio;

2.         A tendência de juros é efetivamente de baixa;
3.         O risco Brasil é baixíssimo e o País encontra condições macroeconômicas melhores do que quase todos outros países do mundo;

4.         Em termos de economia com mercado interno robusto, o Brasil hoje disputa apenas com a China (e vai começar a disputar um pouco mais com a Índia) a preferência dos investidores;
5.         As empresas de diversos setores (energia, varejo, imobiliário, bancário e commodities) devem ter desempenho positivo nos próximos anos;

6.         O ambiente externo é ruim, principalmente na Europa, mas pouco a pouco a percepção é de baixo grau de contágio no Brasil. Além disso, nossa aposta é de que a Europa perturbe o cenário de vez em quando, mas não vemos nenhuma ruptura do Bloco ou do Euro no meio do caminho.
Para o câmbio grande parte das explicações se mantém. O fluxo de recursos externos, pelo Brasil ser um país com tendência de crescimento elevado com mercado interno robusto e pela fraqueza de outras economias importantes no momento, tende a ser muito positivo, o que valoriza o Real. Exatamente por isso, em todas as intervenções que o governo fez para desvalorizar nossa moeda, nossas análises apostavam na ineficácia das mesmas. Não dá para combater a maré remando sozinho. Entendemos que para a indústria, o momento não é bom, mas adotar medidas protecionistas por um lado e de intervenção no câmbio de outro, somente vão retardar o inevitável, e ainda vão causar forte dano e atraso para o resto da economia. Os ganhos de competitividade que o País pode e deve perseguir estão na educação, na redução da carga tributária, na queda dos juros, e nunca no IOF e no Imposto de Importação ou nas normas burocráticas alteradas diariamente. Já se passa mais de um ano que esse tem sido o caminho adotado pelas autoridades, e os efeitos deveriam ter servido de alerta: não vai funcionar, apesar de criar um ambiente de incertezas indesejável.

A maré deve continuar em média positiva, mas devemos sempre ter atenção para as possíveis realizações de lucros nas bolsas e para novas medidas do governo tentando conter o câmbio. No curto prazo esses fenômenos podem afetar o desempenho dos mercados, mas no longo prazo acreditamos que o Ibovespa será positivo e o Real deve se manter valorizado.

Assessoria Técnica

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Mais uma semana sem surpresas

Já se somam semanas de alta nas Bolsas ao redor do mundo e de valorização do Real (frente ao dólar e a outras moedas importantes). Esse desempenho não chega a surpreender, haja vista o que se tem escrito sobre o tema por aqui desde meados de dezembro. Todavia o otimismo continuado de um mês não deve prevalecer durante todo o ano ininterruptamente. Sempre que há uma sequência relativamente longa e acentuada de alta (rally no jargão de mercado), a tendência é de que aconteça momentos de realização de lucros, e isso deve ocorrer em breve. Isso não quer dizer que o otimismo acabou, mas representa um padrão de comportamento tradicional.

O otimismo em relação ao Brasil, especificamente, advém do fato de que os preços de commodities continuam elevados, o mercado interno de consumo está forte, o setor bancário se mantém hígido e em expansão. Além disso, o País está praticamente no pleno emprego e recebe investimentos estrangeiros robustos que devem manter a capacidade de financiamento de dívidas brasileiras em excelente condição. Junte-se a isso a perspectiva de recuperação americana (mais acentuada e mais cedo do que se esperava) e a elevada liquidez global com poucas opções de investimento, o quadro indica que o Brasil será uma economia de forte crescimento por um período longo, talvez mais de uma década. Nosso mercado interno, de uma classe média emergente de mais de 100 milhões de pessoas, atrai olhares de todos os investidores, sejam eles japoneses, chineses, americanos ou europeus.
Do lado do câmbio, mesmo a queda da Selic - e a perspectiva de que as taxas básicas de juros no Brasil ainda podem (e devem) cair abaixo de 10% - não foi suficiente para inverter uma nova onda de valorização de nossa moeda. Na realidade, o governo vem atuando há mais de um ano, com pouco sucesso, para conter a valorização do Real. Dificilmente logrará êxito, pois o que realmente importa para precificar as taxas de câmbio é a oferta e a demanda por essa ou aquela moeda. Como o influxo de capitais estrangeiros superou US$ 60 bilhões líquidos, apenas na vertente de investimentos diretos, os instrumentos que o governo dispõe para direcionar o câmbio são pouco eficientes. Se de fato as autoridades quiserem controlar o câmbio e trazê-lo para uma trajetória de desvalorização, a batalha será muito dura e o risco de danos sérios à nossa economia é elevadíssimo.


Assessoria Técnica

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os mercados continuam otimistas no Brasil

Na última semana, mais notícias positivas preencheram as análises econômicas. De forma geral os dados mais importantes vieram dos Estados Unidos, onde a recuperação parece mesmo ter chegado para ficar e o ritmo de atividade está um pouco mais acelerado do que se projetava para este ano. Esse cenário não resolve todos os problemas, mas ao menos tira uma das espadas que pairavam sobre os mercados. A Europa terá um ano muito difícil, provavelmente de recessão, com desemprego em alta. A exceção será a Alemanha, talvez.

Esse cenário pode ser completado pelo crescimento chinês que, em sua trajetória de ajuste está beirando os 10%, o que ainda é muito. Índia e sudeste asiático no mesmo caminho. Isso garante bons preços para commodities (e o Brasil é campeão em produção desses itens) e para energia. Tudo conspira favoravelmente ao desempenho da economia brasileira e para melhorar a distribuição de lucro de nossas empresas, principalmente as listadas na Bolsa. A única variável complicada ainda é a inflação que continua um pouco resistente, mas nestas últimas semanas o dólar voltou a se desvalorizar o que reduz a pressão pela “válvula” externa. Se o governo não acenar com novas medidas que possam contaminar esse ambiente (como mais protecionismo para setores específicos), a tendência é de que o IPCA, em breve, venha a completar esse cenário positivo.
Do lado real, o consumo continua em alta: a renda, o emprego e o crédito se mantém aumentando substancialmente o papel das classes médias como protagonistas da sustentação do ciclo de consumo e produção. Neste início de ano esses fatores estão influenciando fortemente os resultados dos mercados de renda variável e pressionando o câmbio para baixo. Apesar do déficit em conta corrente externa, o País está contando com o forte afluxo de capitais de investimento (direto e em portfólio) para manter a moeda valorizada. Não que isso seja uma estratégia deliberada do governo, mas é o que está redundando de todo esse cenário, e no curto prazo, nada deve se alterar rapidamente.

Com isso o Ibovespa subiu mais de 5% na semana e já acumula quase 10% de alta no ano, que acabou de começar. De outro lado o dólar atinge novamente o patamar de R$ 1,75, com desvalorização de quase 6% em 2012. Esse direcionamento deve continuar, ainda que não ininterruptamente. Todavia as variáveis que levaram a esse desempenho permanecem presentes, e devem se manter no curto e médio prazos. Conforme nossas projeções no final de 2011, o ano de 2012 promete ser melhor do que o projetado para o País na média das análises.



Assessoria Técnica

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma semana de boas notícias, mas cuidado, nada está definido

Numa semana em que os europeus deram um forte sinal de que entenderam que vão ter de sujar as mãos para sair do atoleiro, o mercado recebeu essa notícia com otimismo. Bom, pelo menos algo será feito. Só por isso a bolsa em São Paulo subiu 5,5% e o dólar caiu 5,2% na semana. Basicamente o que mudou é que se iniciaram algumas conversas a respeito do papel do Banco Central Europeu (BCE) e também é oficial a possibilidade de alguns dos mais importantes bancos centrais do mundo, inclusive o Fed dos Estados Unidos e o BOJ do Japão, atuarem em conjunto. Essa atuação era chamada de orquestração. Ainda pairam muitas dúvidas sobre os rumos da Europa e sobre os efeitos dessas novas metas de atuação conjunta. As principais dúvidas são:
1.         Os Bancos Centrais vão de fato adotar medidas que aumentem as linhas de crédito de imediato para as necessidades urgentes?
2.         O acordo é factível ou não existem condições de operacionalização para linhas de crédito e de empréstimos flexíveis inter Bancos Centrais?

3.         Os europeus entenderam de fato o risco de deixar desmoronar o Euro?

Para nós, em geral as chances de funcionamento são grandes e amplas, porém, não sem antes muitos meses de ajustes e resgates de emergência à moda antiga ao longo do caminho. O fato de terem essas economias percebido a necessidade de firmarem um acordo mais explícito de colaboração em que constassem ações efetivas para que não haja falta e/ou empoçamento de liquidez, é o diferencial neste momento. Conforme estamos alertando há tempos, nenhuma solução será indolor ou incontestável. Também a hipótese de que os ajustes fiscais na Europa sejam feitos sem problemas políticos sérios internos a cada país, é nula.
A retomada do crescimento na Europa pode demorar alguns anos e nos Estados Unidos deve começar em 2012, porém ainda lentamente. A redução do desemprego é ainda mais problemática e demorada. Na realidade os problemas sociais e políticos internos de cada país são função direta da taxa de desemprego, ou seja, medidas de ajuste, tradicionalmente recessivas, serão fortemente contestadas e isso deverá gerar o crescimento dos movimentos de oposição na Europa. Também é esperado um acirramento dos movimentos nacionalistas, outro efeito colateral muito normal. Neste momento o nacionalismo que deve se exacerbar é o de direita, visto que em sua maioria foram os governo de orientação de esquerda que levaram a Europa a esse momento.

Na realidade foram medidas de esquerda de pouco controle de gastos e exagero de benefícios sociais (welfare) que trouxe a Europa para essa posição. A contraposição com os Estados Unidos não é bem válida, pois foram as mesmas famílias de medidas que complicaram a equação em uma economia pujante. Foram gastos enormes em um esforço de guerra que completa quase 10 anos. A grande diferença é que nos Estados Unidos foi a direita que exagerou nos gastos. Neste momento, um governo democrata não está tendo muito clara essa visão de que o ajuste deve ser feito com a redução do Estado, o que retarda a resolução da questão. Ironicamente têm sido governos Republicanos que atuam para descontrolar as contas públicas (Bush pai, por exemplo) e Democratas para organizar a casa fiscal (Clinton, por exemplo). O presidente Obama tinha tudo para repetir a receita de sucesso, mas preferiu alguns caminhos mais demagógicos como culpar os ricos e o mercado financeiro unicamente e projetar mais gastos pagos com mais tributos sobre fortunas. Caminho errado, se for definitivamente adotado, e essa pode ser a diferença de uma recuperação mais rápida e robusta e um martírio mais prolongado das economias globais.



Assessoria Técnica

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Europa permanecerá na mídia e a Grécia na Europa

Não será no futuro próximo que a Europa deixará de ser assunto nas rodas de discussão econômica. Pior, nos mercados financeiros a mania Europa vai permanecer como a única fonte de todos os males e de todas as bênçãos. Na semana passada o Ibovespa fechou com variação 0%, o que é raro e o câmbio se desvalorizou 0,1%, ou seja, entre idas e vindas, a última semana foi apenas de observação.

Esta semana, com o feriado no meio, já começou mais agitada, e é claro, por conta da Europa. Há rumores de que a Grécia (vedete das vedetes no noticiário) poderia optar por deixar de usar o Euro como moeda. Tecnicamente isso inviabilizaria a manutenção do país na União Européia, pois não há esse tipo de previsão nos acordos. De forma meio açodada a Europa está construindo soluções que permitam a um país deixar de usar a moeda européia sem que tenha que deixar a comunidade européia, o que nos é estranho, por alguns motivos:
1.         Não parece possível que um país se mantenha na União Européia tendo tido moeda comum e optado, anos mais tarde, por voltar a ter moeda própria;

2.         Os motivos que estão levando países a pensar nessa hipótese são exatamente os motivos que inviabilizam a economia do país a manter uma relação estável no comércio internacional;
3.         O processo de troca de uma moeda forte por outra mais fraca (e serão mais fracas) é doloroso, gera desconfiança e tende a ser inflacionário, o que, novamente, faria com que a economia que deixar o Euro se torne inadequada para se manter no bloco comercial.

Essas manobras parecem um jogo de pôquer mal armado. Países como a Grécia praticamente estão usando essa hipótese, de deixar de usar o Euro, quase que como uma chantagem para obter vantagens. A resposta veio da Alemanha que se mostrou muito rápida, o que parece ser exatamente típico de quem diz: não estou nem aí. E, mais, se vocês vierem com chantagens de novo, estaremos com os papéis prontos para vocês assinarem.
Na realidade, nossa aposta ainda continua a ser de que após todos esses episódios a União Européia estará preservada com a sua moeda também íntegra. Claro, com o rescaldo dos ajustes que serão necessários não só na Grécia e em vários setores, principalmente o bancário. Mais do que todo esse jogo de cena, nos preocupa o fato de que Warren Buffett diz que não está interessado em bancos europeus. Ele não está acostumado a jogar dinheiro fora e muito menos a perder um bom negócio. O homem tem talvez o melhor faro do mundo hoje para antecipar eventos econômicos, mas ele costuma manter segredo.



Assessoria Técnica

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Poderia ter sido pior

A semana passada começou exatamente como antecipávamos: sob o terror do aprofundamento da crise europeia. Para completar, a percepção repentina de que novamente as autoridades da economia estão tratando o momento de forma muito atrapalhada também não ajudou nada. Para resumir a atuação do governo, agiu onde não devia, falou o que não podia, comunicou-se muito mal com o mercado financeiro. Deixou de agir como e quando devia, fez marola demais, e sucumbiu a pressões que não poderiam ter prevalecido. Mas no final da semana parece que as coisas foram sendo ajustadas e na sexta-feira a sensação média dos mercados era de que a coisa poderia ter sido ainda pior.

Nessa semana o Ibovespa caiu forte (7%) ao mesmo tempo em que o dólar subiu mais de 6%. Na realidade o dólar chegou a atingir na quinta-feira de manhã R$ 1,96, mas foi cedendo e no final da semana terminou em R$ 1,84. No ano, a moeda americana subiu 11%, um resultado quase surpreendente para uma moeda que vinha perdendo valor constantemente. Vale lembrar que o dólar subiu frente a outras moedas como Euro e Iene, mas em relação ao real essa valorização foi mais forte, o que quer dizer que nossa moeda caiu não só em relação à moeda americana, mas também frente às outras moedas importantes. De certa maneira isso resume a semana: com o aperto da crise na Europa (dívidas soberanas na berlinda) a opção tradicional é a corrida para títulos em moeda americana. Além disso, internamente o governo não foi bem e a percepção dos mercados foi de que em algum momento haveria o risco de que se perdesse o controle da inflação. O câmbio apenas refletiu esse sentimento. Claro, há especulação no meio dessa história, mas temos que lembrar que especuladores apenas agem quando são apoiados – ao menos em parte – por uma história que corrobore seus boatos.

No ano, o Ibovespa cai mais de 23%, e, conforme muitas vezes aqui comentado, não dá para ficar apostando na recuperação rápida do índice. Quando o Ibovespa atingiu o patamar de 48 mil pontos, realmente parecia que o grau de pessimismo não fazia sentido e era verdade que havia pechinchas nas bolsas. Por outro lado, isso não quer dizer que o indicador vai rapidamente voltar aos 70 mil pontos. Ao contrário, a tendência é de que o Ibovespa fique alternando semanas melhores com piores, mas que redunde na manutenção dos patamares atuais, pouco acima, pouco abaixo. O risco de haver uma mudança radical é pequeno, e dependeria de um default sem solução na Europa para definitivamente buscar um patamar bem mais baixo, (não apostamos nessa hipótese) ou de uma solução indolor para o enrosco europeu somada à reversão do quadro de crescimento americano – o que também é improvável. Ou seja, podemos esperar mais do mesmo por algum tempo, como temos alertado neste boletim desde o final do primeiro semestre, quando o viés de queda constante deixou de ser inequívoco.
Vamos esperar uma semana com surpresas, mas ao que tudo indica o governo deve começar a se desenrolar e usar uma política macro mais “livro texto” e menos pirotecnia. Provavelmente o que vai nos mover neste final de mês é a situação externa e não mais as “trapalhadas da equipe econômica”.


Assessoria Técnica

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Uma típica semana de mercado sem norte, desorientado

Quando os romanos rumavam para o Oriente, diziam que era necessário estar sempre concentrado na campanha, que os soldados deveriam estar todos orientados. Quando o exército de Marcus Aurélius rumava para onde hoje é a Alemanha, os soldados deveriam estar com o norte na cabeça, deveriam estar norteados. Os mercados financeiros no Brasil, 2000 mil anos depois das campanhas mais importantes do Império Romano, estão desnorteados, desorientados. Não sabem o que fazer. Aliás, por irônica coincidência, os atuais problemas da economia global provêm do Hemisfério Norte e também, em grande medida, do Japão, no Oriente.
O Ibovespa no Brasil se comportou exatamente como os indicadores na Europa, nos Estados Unidos e no Oriente: sem nenhuma consistência. Nesses momentos alguns operadores são ágeis e fazem muito dinheiro, apostando na volatilidade e acertando quando estar vendido e quando estar comprado. Mas isso é tarefa para profissionais e talvez para quem seja um pouco irresponsável, ou tenha um pouco (muito) de espírito de jogador, aventureiro. Certamente, no último mês, os mercados financeiros proveram grandes doses de adrenalina para quem gosta de emoções fortes. Esse tom deve continuar por algumas semanas, pelo menos, pois ninguém conseguiu ao certo digerir as informações que vêm dos principais focos de crise. Não há certeza de como esse momento vai ser diluído no tempo até que os mercados voltem ao normal, indicando tendência e com a economia global voltando a crescer 4% a 5% ao ano. Para isso é necessário que Europa, Estados Unidos e Japão cresçam algo ao redor de 2,5% a 3,5% ao ano.

No Brasil, os estragos, devidos ao crítico problema americano, à redução do rating dos Estados Unidos e ao quase insolúvel problema das dívidas soberanas européias, se restringiu ao mercado financeiro. Emprego, renda, crédito e consumo continuam dando sinais positivos. Desta forma, é possível que ainda tenhamos um Natal de bons resultados em termos de consumo, ainda que terminemos o ano com a bolsa caindo dois dígitos. Também não esperamos muitas alterações relativamente à taxa de câmbio, que deve permanecer valorizada.
Quando o mercado de renda variável fica muito volátil, se tornando ambiente hostil para não iniciados, a tendência é aumentar a procura por renda fixa, por títulos do governo, por investimentos via Tesouro Direto. Em parte temos que lembrar que os bancos não gostam muito deste cenário, porque limita sua ação e sua capacidade de cobrar elevadas taxas de administração, principalmente se os investidores partirem em massa para o Tesouro Direto. Na realidade, é isso que está acontecendo, mas podemos apostar aqui que, em breve, vai começar a temporada de caça aos recursos por parte dos bancos. O que deve começar a sair de relatório mostrando que existem enormes pechinchas nas bolsas, não vai ser brincadeira. De fato, o Economix reconhece que devam existir pechinchas na Bovespa, o difícil é apontar exatamente quais e qual o melhor momento para comprar, ou seja, que tem coisa barata, é claro, mas garimpar boas oportunidades não é tarefa trivial. Os quadros abaixo elucidam como foi a semana e também são bons indicadores do que nos espera nos próximos dias, semanas e talvez meses. Mas continuamos atentos.

Assessoria Técnica

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Bolsas: Depois do terremoto, o tsunami

Os dias continuam muito ruins para as bolsas. A rigor, para a economia global. O rebaixamento dos títulos americanos foi um evento tectônico justamente porque o dólar é a moeda de referência global e a economia americana serve como base para o crescimento de grande parte do mundo, principalmente a da China, que, por sua vez, está crescendo e puxando outros países, como o Brasil. A falta de referência clara (se não forem os Estados Unidos, quem será essa referência?) deixa os mercados nervosos e sem direção. Se o rebaixamento for algo para ser levado a sério, então qual a referência global agora?
A Europa não pode ser, por motivos óbvios. A China é grande, mas não tem o poderio americano e desperta muita desconfiança no mundo ainda. O Brasil, apesar de melhor institucionalizado que os demais integrantes do BRIC, tem um papel marginal na economia global. O Japão não cresce há pelo menos duas décadas. Ou seja, essa nova ordem da economia mundial não deixa de ser uma construção metafórica, dado que na improvável hipótese de que os americanos deixe de ser o guia, existirá um vácuo por muito tempo.
A discussão agora é se os mercados estão caindo para fazer um ajuste ou se estamos vivendo um “bear market”, que vem a ser um mercado urso, que só sabe avançar de cima para baixo. Será que é momentâneo ou a tendência de longo prazo é muito ruim? Tudo indica que haverá recuperação em breve, mas existem alguns pontos a serem ponderados:

1. Mesmo que a recuperação comece no curto prazo, em uma semana que seja. Antes disso, quanto pode cair esse mercado?
2. Desta vez há o problema adicional da novidade no ar, que de fato os americanos estão descalços nesse braseiro.

Tudo isso gera especulações e riscos que não existiam antes. Portanto, vislumbra-se um admirável mundo novo. Também é fato que quando surge um mundo novo, algumas pessoas conseguem tirar proveito disso. Não sabemos exatamente a receita, mas conhecemos alguns ingredientes: calma, serenidade, não se deixar levar por movimentos de manada, coragem sim, mas com prudência. Isso quer dizer que, eventualmente, investir em ações se orne um bom negócio, mas quem tentar adivinhar exatamente o momento da virada poderá se dar muito mal. Se lembrarmos bem, na semana passada, este mesmo Economix já mostrava que os 52 mil pontos do Ibovespa (são menos de 49 mil na abertura da terça) poderiam ser baratos, mas poderiam também estar escondendo um movimento mais complexo do que apenas uma correria por conta de um boato. Agora é fato: o mundo está sem referências, assim como os analistas.
Aposta: a tendência é de que, por absoluta falta de voluntários à altura do desafio, a referência global volte a ser os Estados Unidos. Quando isso ficar claro, será o momento de voltar o foco para o mercado de ações, que vai sim se mostrar uma boa opção, em algum momento. Quem acompanha o Economix deve ter percebido as virtudes da análise fria e da paciência. Perguntem: valeu a pena ter paciência até aqui, mesmo quando o cenário parecia promissor?

Assessoria Técnica

terça-feira, 26 de julho de 2011

Uma semana de alguma recuperação nas bolsas

O Ibovespa subiu um pouco nesta última semana, atingindo 60.270, variando +1,3% no período, perfazendo no ano -13%. No pior momento do ano, na semana de 11 a 15 de julho, o Ibovespa chegou a ficar abaixo de 59 mil pontos e a queda do índice ultrapassou 14%. Uma variação muito forte, ainda mais quando se leva em consideração que o Brasil é um dos poucos países que está bem posicionado em termos macroeconômicos e continua favorecido pelos preços das commodities elevadas. Nada ameaça de forma incisiva a economia nacional.

Temos hoje um equilíbrio macro muito sólido, principalmente, em termos relativos, com dívida pública abaixo de 50% do PIB, déficit nominal de 2,5% do PIB, reservas superiores a US$ 300 bilhões. Atualmente, o único ponto frágil é a Conta Corrente que já está deficitária em cerca de 3% do PIB ao ano, e pode se deteriorar ainda mais. De qualquer forma esse é o preço que pagamos pela valorização cambial combinada com excessiva liquidez internacional e falta de opções para investir. Mesmo o déficit em contas correntes pode ser analisado de uma forma um pouco menos negativa: é a importação de poupança externa para complementar o investimento nacional e alavancar o consumo das famílias. Se o uso dessa poupança for bem feito, o déficit será pago no futuro com os frutos desse investimento. Temos, porém, que reduzir o prêmio que estamos pagando para o dinheiro que vem do exterior, mas ainda assim, sob a ótica geral, o Brasil passa por um bom momento econômico, ainda que pudesse ser melhor.
Com esse cenário seria de se esperar que o mercado acionário tivesse um desempenho melhor do que está tendo de fato. Na realidade, parte do desempenho negativo pode ser atribuída a um ajuste após o forte crescimento em 2009 e 2010. Outra parte pode ser atribuída à falta de habilidade do governo em conduzir negócios conjuntos com a iniciativa privada e a interferência sobre a Vale e a má gestão de toda a história do pré-sal na Petrobras.
Externamente a semana foi um pouco mais tranquila. A tendência é de que a Europa vá encontrando seu caminho, muito duro por sinal, e de que os Estados Unidos cheguem a um acordo para elevar os limites da dívida. Até o início de agosto deveremos alternar bons e maus momentos ao sabor das discussões políticas em torno da aprovação do limite da dívida americana e na Europa com os boatos de momento acerca de quem está para quebrar. Não acreditamos em nenhuma solução de ruptura, mas talvez uma revisão dos prognósticos de crescimento mundial para 2011 e 2012. Exatamente por isso o momento ainda não é de plena recuperação, ou pelo menos nada garante isso por enquanto, nos mercados acionários. Até que a Europa tenha dado uma solução definitiva para as lambanças dos Tesouros de vários países da região do euro e até Obama conseguir controlar sua base para fazer os ajustes necessários, já estaremos no último trimestre do ano. Os investidores que estão calcados em Renda Fixa no Brasil estão dormindo tranquilos. Quem insiste no mercado de ações, abra o cofre e pegue mais um maço de paciência e de nervos de aço, por enquanto. Se você for um monge tibetano, investir na Bolsa será um bom teste neste ano.
Assessoria Técnica

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sai Grécia, entra Portugal

Todo o bom desempenho da semana retrasada foi perdido na semana passada na Bolsa de Valores de São Paulo. O desempenho positivo foi fruto da melhora de humor dos mercados com o acordo entre Grécia e credores e a liberação parcial de recursos para o endividado país. Em parte o resultado do acordo se mantém como um farol para que respostas semelhantes sejam dadas a outras economias muito endividadas como é o caso mais evidente no momento, o de Portugal.  Todavia, o acordo não significa que os problemas já passaram. Significa que a solução adotada é a que trará o menor desgaste possível, mas terá custos, principalmente para os diretamente envolvidos, devedores e credores.

Credores vão abrir mão das condições iniciais de seus direitos e os devedores terão que adotar planos internos em suas economias para fazer frente aos futuros pagamentos. Resumindo, os envolvidos vão aceitar perdas e os mercados sabem disso. Os mercados sabem ainda que a solução do problema que permeia muitas economias europeias é de demorada solução, portanto apesar do lado positivo do acordo grego, as condições de longo prazo não se alteraram muito – apenas tiraram do horizonte o risco de uma moratória unilateral. Dentro desse enquadramento, os mercados estão muito voláteis, mais avessos ao risco e muito nervosos. São hoje mercados ariscos, para profissionais, e não há muito espaço para amadores neste momento.

Conforme esse boletim anteviu, após o acordo com a Grécia seria mesmo muito provável que começassem a pipocar os outros problemas que estavam convenientemente sendo esquecidos. O primeiro da lista era Portugal, que sofre da mesma doença grega. Portanto, não precisamos explicar com muitos detalhes o caminho: pressão política interna, agitação no governo português, propostas de ajuste fiscal e, em paralelo, os credores se organizando para formatar um acordo. Foi levantada nesse boletim a hipótese que, a depender do tamanho dos problemas fiscais em países europeus, uma espécie de Plano Brady terá que ser confeccionado para a Europa. Esse dia nos parece cada vez mais próximo.
Após o bom humor da semana retrasada, os mercados de ações reagiram devolvendo os resultados e nesta semana fecharam em queda. No Ibovespa a queda desta última semana foi praticamente igual à alta da semana anterior, ou seja, 0 a 0 nos últimos 15 dias. O tom quase esquizofrênico do mercado deve continuar. Nossa primeira aposta no início do ano se cumpriu: o primeiro semestre não despontava como um bom momento para investir em ações. De lá para cá a Bovespa caiu de 70 mil para algo ao redor de 61 mil pontos. Isso significa que quem esperou até agora para entrar, se não tem a garantia de retornos rápidos e elevados ainda, ao menos, vai pagar mais barato por essa aposta. Nossa expectativa é de que esse segundo semestre também seja muito complicado para investimentos em renda variável e a única vantagem é exatamente o fato de que houve uma boa queda no índice de ações ao longo não só de 2011, mas também desde o último trimestre do ano passado.

Em algum momento, a bolsa vai parar de cair, isso é óbvio, mas mesmo após a queda e o ajuste no Ibovespa, as condições de mercado não são muito favoráveis. Além de todos os problemas econômicos mundiais e internos, a taxa de juros no Brasil se elevou e é tão alta que deixa pouco espaço para dúvidas quanto ao tipo de investimento que deve ser feito. A melhor estratégia é acompanhar semanalmente o indicador de ações e o mercado, tentando interpretar quando o humor vai virar de forma mais definitiva. No primeiro semestre do ano, além dos problemas tradicionais, alguns momentos que poderiam ser um pouco melhores foram minados por inúmeras trapalhadas da equipe econômica que demorou a engrenar nesse novo governo.
Assessoria Técnica

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vale e Petrobras, as mais recomendadas da bolsa, um pouco por falta de opção

O mercado acionário do Brasil evoluiu muito nos últimos anos, porém ainda é pouco difundido, se comparado a economias mais maduras. Pelo fato de ser um mercado ainda “juvenil”, em franca expansão, sofre com as naturais dores do crescimento. Uma dessas dores é a concentração dos negócios em poucas empresas, acabando por distorcer os resultados dos índices de ações. Isso também facilita a ação de especuladores inescrupulosos, tornando o mercado vulnerável a problemas pontuais internos de uma ou outra empresa. Um obstáculo que não aconteceria, se houvesse maior disseminação desse tipo de aplicações.

No caso brasileiro, o Ibovespa é totalmente dominado por negócios com Vale e Petrobras. Não é de surpreender que os analistas, apesar do mau humor dos investidores nos últimos meses, mantenham indicações favoráveis para aplicações nessas duas empresas. Em primeiro lugar, devemos reconhecer que a ingerência do governo sobre a direção da Vale e o pobre marco regulatório para área de petróleo, além da interminável discussão sobre a necessidade de investimento da Petrobras nos próximos cinco anos, levaram o Ibovespa ao estágio atual, com retrocesso equivalente a mais de um ano de trabalho. De outro lado, e apesar disso tudo, investir em uma empresa do ramo de commodities metálicas, ou em uma empresa monopolista de uma das principais áreas de energia – uma das maiores economias do mundo –, tende a ser um bom negócio, pelo menos no longo prazo.
Um dos truques tradicionais dos analistas é recorrer ao longo prazo para definir uma estratégia de investimentos. Como isso pode ser traduzido de diversas maneiras, esse subterfúgio funciona como uma espécie de termo de indeterminação. Ou seja, dá um aconchegante e providencial caráter vago às dicas. Mas é fato que a tendência de longo prazo para os preços de energia e commodities minerais se mantenha em alta. Ainda que os índices de preços de commodities tenham sofrido quedas nos dois últimos meses, a média desses preços é cerca de 60% a 70% superior aos de 2005, e não parece que haja uma tendência de reversão dessa magnitude.

Aliás, as perspectivas mais aterrorizantes e alguns analistas, como Nouriel Roubini, são de muito pouca utilidade. Se é fato que a economia americana vai entrar em estagnação, como a japonesa está há mais de uma década, então teremos que contar com uma profunda queda dos preços de commodities e de bens de consumo, portanto, com uma inevitável crise na China. Esse cenário indica que o melhor que podemos fazer para nos proteger é plantar uma horta e ao menos garantirmos o que comer. Mas, felizmente, esse cenário é muito improvável, até porque as condições da economia norte-americana são muito distintas daquelas que levaram o Japão a um período muito longo de estagnação. Não é possível que uma economia ainda jovem, que atrai investimentos e com potencial de consumo e de produção tão grandes como a americana, fique parada por mais de uma década. O fraco desempenho atual americano ainda é reflexo de uma crise de grandes proporções em 2008, mas um alento está no fato de que hoje eles já voltaram a crescer, apesar de pouco.
Se o cenário mais provável é de recuperação lenta e gradual dos Estados Unidos – e é –, muito provavelmente também a China se mantenha crescendo fortemente nos próximos anos e, por derivação, os países emergentes também manterão vigor. Quem tiver paciência e não quiser definir exatamente o que quer dizer longo prazo, ainda deve ter bons retornos aplicando na Vale e na Petrobras. Apostamos que 11 em cada dez analistas ainda vão sugerir essas companhias para os investidores, e todos eles vão falar em longo prazo.

Assessoria Técnica

terça-feira, 31 de maio de 2011

Uma semana melhor

A última semana foi melhor do que a média que temos acompanhado já há muito tempo. Em grande parte porque muitos investidores foram atrás de bons negócios, ou de “barganhas”, como diz o jargão de mercado. A queda consistente da bolsa em São Paulo acaba fazendo com que certas empresas passem a ter ações consideradas “pechinchas”, pelo menos para alguns analistas.
De fato, devemos concordar que, em média, para o longo prazo, ações de empresas como Vale ou Petrobras não são maus negócios. O problema é que existem muitos problemas rondando a economia brasileira. Segue aquele rosário que já conhecemos: percepção de imperícia de alguns integrantes da equipe econômica, inflação resistente, ingerência na Vale, marco regulatório ruim para a Petrobras.
Se alguém parar para pensar, um desses problemas parece ter sido solucionado: as autoridades da área econômica pararam de dar seu ar da graça no noticiário diário, causando a péssima impressão de que estavam batendo cabeças. Para os outros problemas, esperamos solução no médio prazo, principalmente a inflação, o mais sensível de todos.
O Ibovespa havia voltado a patamares de julho do ano passado, mas ensaiou recuperação na semana passada. Além das pechinchas, houve boas notícias como a manutenção da baixa taxa de desemprego relativa ao mês de abril, que retira um pouco da discussão um arrefecimento abrupto da economia, pelo menos por enquanto.
Do lado negativo, ficou o anúncio da exclusão de São Paulo como sede da Copa das Confederações, em 2013. Essa notícia não chega a ser uma surpresa, mas vai indicando que a probabilidade de São Paulo não sediar nem mesmo a Copa do Mundo (quem dirá a abertura) está crescendo. Uma eventual exclusão paulista como sede dos jogos em 2014 será de fato uma má notícia, pelo que isso representa em termos de imagem.
Um risco mais sério é o de o Brasil, por falta de infraestrutura e de condições de provê-la, perder a Copa do Mundo. Hoje um risco pequeno, mas não totalmente afastado, e deve-se prestar muita atenção a isso, porque o efeito de imagem para o País seria quase catastrófico.
O próprio comandante da Autoridade Olímpica do Brasil, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, atribui à economia bem encaminhada o fato do Brasil receber os dois maiores eventos esportivos do mundo nesse curto espaço de tempo. A mesma lógica indica que se o País perder algum desses eventos em cima da hora, será também por culpa da piora da economia em termos gerais. Um sinal de incapacidade de resolver os problemas brasileiros. Imagem é tudo no mundo de hoje.
Para as próximas semanas, alguns indicadores devem ser acompanhados de perto: pesquisa industrial mensal, PIB do primeiro trimestre e preços ao produtor. Todos indicadores muito relevantes do IBGE e começam a ser divulgados amanhã (31/5). A expectativa é de crescimento fraco da indústria, (cerca de 4% com relação a abril de 2010), o PIB crescendo ao redor de 5% e os preços ao produtor variando 0,5%.
Números diferentes do que esses não estão “no preço” e vão mudar o humor do mercado, para bem ou para mal.
Assessoria Técnica