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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Empresário do comércio exterior é marginalizado

Que é difícil importar e exportar no Brasil, isso é bem sabido. Que a burocracia torna a vida das empresas ainda mais difícil, isso também não chega a ser novidade. Que as pequenas empresas estão basicamente impossibilitadas de participar do comércio externo, isso também é fato reconhecido. Todavia, em artigo recente da Folha de S. Paulo, o ambiente de negócios com o exterior foi melhor dissecado, e as condições são estapafúrdias de tão ruins.

A FecomercioSP é a entidade do livre mercado, que deseja promover a melhoria do arcabouço de condições necessárias à livre iniciativa e ao desenvolvimento social e econômico do País. Nesta condição, a FecomercioSP entende que a integração global não só é desejável, como é também um caminho sem volta, com seus custos e benefícios. Quanto antes o País entender que os ganhos da abertura de mercado são mais do que compensatórios em relação aos custos, melhor para nós mesmos.
Com base no diagnóstico apresentado na reportagem da Folha de São Paulo, a FecomercioSP lamenta que o Brasil ainda seja uma das economias mais fechadas do mundo, com um grau de protecionismo que, na realidade, pune  o consumidor e restringe o crescimento econômico e a geração de emprego, sob o nobre véu da defesa da indústria nacional. A indústria nacional merece todo o respeito e deve ter internamente condições adequadas de produção e de competitividade, mas não nos parece merecer reservas de mercado, sob pena de voltarmos 30 ou 40 anos ao passado, tornando nossa economia completamente anacrônica. O que valia na década de 1970 como estratégia de aceleração do crescimento, não vale mais no mundo globalizado, e que preza o consumo de bens e serviços cada vez mais, na medida em que aumenta a renda das classes e países emergentes. A economia moderna vive de consumo de bens, mas também de experiências, de serviços, de conforto.

No Brasil existem 19 mil empresas de exportação e 43 mil de importação, um número muito baixo para os mais de cinco milhões de empresas que estão sediadas no País. Não é para menos, pois os exportadores e importadores estão sujeitos até a 12 carimbos de aprovação em órgãos diferentes, mais de 100 legislações para a área e pelo menos 130 tributos distintos. Essa situação é, além custosa em termos financeiros, extremamente onerosa em burocracia e perda de tempo. Não dá, definitivamente, para imaginar um setor de comércio externo realmente pujante dentro desse ambiente absolutamente castrador.
Assessoria Técnica

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Juros básicos caem. Para o consumidor, depende

A Selic veio caindo e está prestes a, pela segunda vez na história, ficar abaixo de 10%. O fetiche dos dois dígitos persegue a economia brasileira, quando se trata de juros básicos.

Na realidade, o grande problema não está na taxa básica de juros, pelo menos para o consumidor. Claro, a queda da Selic é bem vinda para o consumidor que vai se beneficiar ligeiramente da redução dos custos de empréstimos, mas é muito mais importante para o País, que vai diminuir enormemente o custo de sua dívida pública, ainda muito vinculada a juros flutuantes de curto prazo.
Contudo, quando tratamos do assunto na ponta do consumidor, sob qualquer ângulo que se olhe (FecomercioSP, Banco Central, Anefac) o cenário não mudou tanto assim. As taxas de juros médias ao consumidor terminaram 2011 ao redor de 43,8%, o mesmo patamar do começo do ano passado, após ter chegado a mais de 47% em outubro. Ou seja, mesmo com a queda de juros recente, os consumidores ainda pagam excessivamente caro para obter um empréstimo. O pior é que, em algumas carteiras, como o crédito rotativo no cartão de crédito ou o cheque especial, as taxas permanecem em média estáveis há muito tempo. E estáveis na casa dos 150% a 240% ao ano, a depender do caso. Um estudo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) sobre os países latinos próximos como Argentina, Chile e Colômbia mostrou que a taxa para o financiamento no cartão de crédito não ultrapassa os 50% ao ano, ou seja, quase cinco vezes menor do que o nosso teto.

Algo está errado no sistema financeiro brasileiro (ou algo está muito confortável para bancos e administradoras de cartões). Na visão da FecomercioSP, de nada adiantam os protestos, quase infantis, contra os grandes lucros dos bancos. A atitude realmente capaz de mudar algo é promover o aumento da competição no sistema financeiro. Em primeiro lugar, o mercado ainda é muito fechado, porém, e mais importante, o consumidor tem um papel preponderante nessa cruzada para que as taxas de juros caiam a um patamar civilizado. É o consumidor, em última instância, o responsável pelas altas taxas de juros. Afinal, é o consumidor que vai tomar crédito, que se deixa descontrolar e entra no cheque especial, que compra no rotativo do cartão de crédito. É ele também que basicamente se recusa a sentar com o seu gerente de banco ou credor para renegociar os termos de suas dívidas como prazos e juros.
Quando isso começar a ocorrer de forma massiva, certamente os bancos e credores terão que competir entre si por consumidores mais conscientes.

Assessoria Técnica

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Mercados andam muito racionais

Na última semana houve um ajuste nos preços do Ibovespa, que depois de terem atingido o máximo de quase 66 mil pontos neste ano, fechou ao redor dos 64 mil pontos. Na realidade, os mercados de ações e de câmbio estão extremamente racionais neste início de ano, indicando que não convém jogar contra a maré, ou tentar conter ou fixar preços, seja de ações, seja do dólar ou euro.

Os mercados estão indicando um grau de confiança relativamente alto na economia brasileira e, por isso mesmo, a Bolsa tem subido e o dólar caído, apesar da queda de juros recente. Os motivos existem para essa crença: desemprego em queda continuada, rendimentos em alta, indicadores macroeconômicos relativamente bons. Consumo deve prevalecer como a variável que puxará a economia mais um ano - e talvez por alguns anos no Brasil e seus parceiros emergentes. Neste ambiente, é inútil e até contraproducente tentar conter o câmbio (com a entrada de bilhões de dólares de investimentos diretos), e não faz sentido apostar na desindustrialização, ainda que o setor cresça menos do que a média neste momento. Para completar o cenário, a recuperação americana parece cada vez mais evidente, o que dará novo fôlego para a economia mundial.
A queda do Ibovespa na sexta – dado que de segunda a quinta o índice estava estável – não deve ser atribuída aos problemas com a Grécia, dado que a rigor os dias de impasse foram terça e quarta-feira. O Ibovespa reagiu mesmo aos maus resultados da Petrobras, frente ao que era esperado, como deve reagir um índice de ações concentrado em poucas empresas como nosso caso. O resultado da semana se deve também à realização de lucros de um mês muito bom neste início de 2012. Nada mais racional do que isso. A rigor, os resultados da Petrobras também nos fazem pensar o porquê da troca de comando na empresa.




Assessoria Técnica

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Conforme apostamos, sai acordo grego

Vamos passar por vários momentos como o desta semana. Sempre que os vencimentos da Grécia estiverem chegando perto, haverá um período de terrorismo dos gregos mostrando que não existem condições de quitação das dívidas sem aporte de dinheiro do BCE, FMI e outros organismos multilaterais. Do outro lado, estarão os diretores desses órgãos multilaterais e alguns líderes nacionais (Ângela Merkel e/ou Sarkozy) pressionando os gregos com seu terrorismo: vão acenar que para a Grécia receber o aporte de recursos, terá que trazer uma contrapartida à mesa de negociações. No final, cada lado cede um pouco e sai um acordo: nem tão bom para sanar o problema de forma definitiva e nem tão ruim que jogue os mercados no caos.

Existem dois times de analistas apostando pesado nesse jogo, e ambos têm perdido para aqueles mais cínicos e frios. O primeiro time aposta numa ruptura. No mercado são chamados de “vendidos”, ou seja, vendem ativos (todo tipo de ativo, financeiro e não financeiro) ao preço presente, esperando comprá-los mais baratos logo adiante, quando o fim do mundo chegar e todos estiverem de pires na mão. O segundo time é super otimista e crê numa solução rápida e definitiva. Esse time dos “comprados” adquire ativos, esperando que este seja o fundo do poço e que em breve possam realizar seus lucros vendendo caro suas posses que compraram baratos. Afinal, para eles a Grécia sairá da crise, assim como toda Europa e os problemas como desemprego, baixo crescimento e consumo fraco vão sumir ao longo deste ano. Claro, neste cenário os preços dos ativos subiriam rapidamente na Europa e no mundo.
Nossa aposta é bem mais chata, quase óbvia, e que não tem muito lugar na mídia: não há grandes possibilidades da ocorrência dos eventos acima. A tendência é de que a situação continue a se arrastar e, quando o momento se tornar mais agudo, embates entre credores e devedores surgirão, e novamente FMI, BCE, Bancos Centrais, Governos, serão chamados a participar das negociações. Nossa aposta se baseia nos mais claros argumentos:

1.         Nada mudou a favor da Grécia (ou de seus parceiros de desolação como Itália, Portugal, Espanha e Irlanda). A crise interna continua, as reformas impõem custos políticos pesados e o baixo crescimento será a toada nos próximos meses, talvez mais de um ano;
2.         Nada mudou contra a Grécia e seus parceiros endividados: os credores e a Europa em si não podem permitir que haja uma ruptura no sistema político desses países e sabem que terão que imprimir lentamente a sua agenda de austeridade e reformas para os devedores.

O ministro grego Papademos discutiu durante vários dias uma forma de chegar a um acordo em torno das medidas de austeridade exigidas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional em troca da liberação de um empréstimo adicional de 130 bilhões de euros para o governo grego, evitando assim um calote no pagamento de bônus previsto para 20 de março. De seu lado, o governo cortará mais de três bilhões de euros em gastos neste ano, reduzirá os benefícios aos aposentados e também diminuirá o salário mínimo em 22%, segundo o rascunho do documento sobre o acordo firmado entre os líderes, que foi obtido ontem pela imprensa. Ambos lados devem se resignar de não poderem reagir de forma diferente, mais altiva e incisiva. Cada um por seus motivos. Vamos conviver com essa “lenga-lenga” por um bom tempo.

Assessoria Técnica

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Espaço para cair

Uma análise mais detida sobre os números do PIB e das principais atividades econômicas no Brasil, no Estado de São Paulo e na capital paulista, mostra que o processo de transformação econômica favorável ao setor de Serviços ainda tem um longo caminho a ser perseguido. Foram inúmeros os artigos e estudos escritos no âmbito da FecomercioSP que justificam a adoção de uma nova política econômica no Brasil que, em primeiro lugar, dê ao setor terciário o status que o setor merece. Em segundo lugar, que pense em um novo modelo educacional no Brasil que contemple as alterações dinâmicas e as necessidades do mercado de trabalho, ao invés de apenas reformar um modelo de conceito antigo, que foi adequado para o Brasil industrial pós Getúlio Vargas. O quadro abaixo mostra como a participação do setor de Serviços cresce na medida em que o PIB/Capita aumenta.
Neste sentido, o título é voltado para a constante – e recente – disposição do setor industrial em pressionar o poder público para adoção de medidas protecionistas, ou mesmo pelo seu esforço em capturar os formuladores de políticas econômicas. Esse fato fica evidenciado pela enorme distorção no fomento que o BNDES, por exemplo, faz ao setor Industrial em detrimento do setor de Serviços.  A indústria hoje representa menos da metade do emprego e do produto nacional que é gerado no terciário. Ou seja, as políticas tradicionais e protecionistas, além de prejudicarem o andamento da economia em seu todo e de reduzirem o bem-estar dos consumidores que se veem com menos opções e pagando mais caro, são, no final do dia, ineficazes e ineficientes. Essas políticas protecionistas, voltadas ao tradicional conceito de economia industrial, apenas atrasam o inevitável: o avanço do setor mais dinâmico da economia, em paralelo ao aumento de renda e consumo.  Por isso mesmo, podemos dizer que ainda há espaço para a indústria ver sua participação na composição do PIB cair.
Nos Estados Unidos, onde a indústria representa 22% do PIB e o setor de Serviços mais de 76%, o PIB per capita é, em termos arredondados, R$ 90 mil. No Brasil, o PIB per capita é de R$ 21 mil, no Estado de São Paulo R$ 34 mil, e na capital de R$ 44 mil. Parece evidente que, quanto maior a renda local, maior a participação do setor terciário no PIB. A relação causal é difícil de estabelecer. O setor de Serviços cresce por que a renda é alta ou a renda é alta porque o setor de serviços é preponderante na região? Essa pergunta tipo “Economia Tostines” tende a ser respondida assim: na realidade os fenômenos ocorrem em paralelo. Portanto, se o Brasil hoje tem um setor industrial que responde por 27% do PIB e Serviços respondendo por 67% do PIB, é bom imaginar o futuro próximo (o início da próxima década, provavelmente) com uma participação do setor industrial menor do que 25% e contar com mais de 70% do produto sendo gerado no setor terciário.

O crescimento da renda sofistica o consumo, e esse novo consumidor, depois de se abastecer de produtos agrícolas básicos (na feira) de estar com a casa repleta de bens duráveis e com um carro na garagem, vai aumentar significativamente seu consumo de lazer, planos de saúde, academias, educação, cinema, teatro, TV a Cabo, Internet, Telefonia Móvel entre outros serviços.
 

Assessoria Técnica

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Muito mais do mesmo

Agora são cinco semanas seguidas de altas no Ibovespa, que acumula no ano crescimento de quase 15% e as mesmas cinco semanas de queda no dólar. Na realidade o que ocorre no câmbio é a alta do real, pois a nossa moeda se valorizou frente a todas as outras e não somente frente ao dólar. Nossos boletins vinham alertando para esse comportamento há bastante tempo, dois meses ao menos. Vamos aos motivos:
Para o Ibovespa:
1.         O País continua a receber forte fluxo positivo de investimentos estrangeiros, sejam diretos, sejam em portfólio;

2.         A tendência de juros é efetivamente de baixa;
3.         O risco Brasil é baixíssimo e o País encontra condições macroeconômicas melhores do que quase todos outros países do mundo;

4.         Em termos de economia com mercado interno robusto, o Brasil hoje disputa apenas com a China (e vai começar a disputar um pouco mais com a Índia) a preferência dos investidores;
5.         As empresas de diversos setores (energia, varejo, imobiliário, bancário e commodities) devem ter desempenho positivo nos próximos anos;

6.         O ambiente externo é ruim, principalmente na Europa, mas pouco a pouco a percepção é de baixo grau de contágio no Brasil. Além disso, nossa aposta é de que a Europa perturbe o cenário de vez em quando, mas não vemos nenhuma ruptura do Bloco ou do Euro no meio do caminho.
Para o câmbio grande parte das explicações se mantém. O fluxo de recursos externos, pelo Brasil ser um país com tendência de crescimento elevado com mercado interno robusto e pela fraqueza de outras economias importantes no momento, tende a ser muito positivo, o que valoriza o Real. Exatamente por isso, em todas as intervenções que o governo fez para desvalorizar nossa moeda, nossas análises apostavam na ineficácia das mesmas. Não dá para combater a maré remando sozinho. Entendemos que para a indústria, o momento não é bom, mas adotar medidas protecionistas por um lado e de intervenção no câmbio de outro, somente vão retardar o inevitável, e ainda vão causar forte dano e atraso para o resto da economia. Os ganhos de competitividade que o País pode e deve perseguir estão na educação, na redução da carga tributária, na queda dos juros, e nunca no IOF e no Imposto de Importação ou nas normas burocráticas alteradas diariamente. Já se passa mais de um ano que esse tem sido o caminho adotado pelas autoridades, e os efeitos deveriam ter servido de alerta: não vai funcionar, apesar de criar um ambiente de incertezas indesejável.

A maré deve continuar em média positiva, mas devemos sempre ter atenção para as possíveis realizações de lucros nas bolsas e para novas medidas do governo tentando conter o câmbio. No curto prazo esses fenômenos podem afetar o desempenho dos mercados, mas no longo prazo acreditamos que o Ibovespa será positivo e o Real deve se manter valorizado.

Assessoria Técnica

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Mais uma semana sem surpresas

Já se somam semanas de alta nas Bolsas ao redor do mundo e de valorização do Real (frente ao dólar e a outras moedas importantes). Esse desempenho não chega a surpreender, haja vista o que se tem escrito sobre o tema por aqui desde meados de dezembro. Todavia o otimismo continuado de um mês não deve prevalecer durante todo o ano ininterruptamente. Sempre que há uma sequência relativamente longa e acentuada de alta (rally no jargão de mercado), a tendência é de que aconteça momentos de realização de lucros, e isso deve ocorrer em breve. Isso não quer dizer que o otimismo acabou, mas representa um padrão de comportamento tradicional.

O otimismo em relação ao Brasil, especificamente, advém do fato de que os preços de commodities continuam elevados, o mercado interno de consumo está forte, o setor bancário se mantém hígido e em expansão. Além disso, o País está praticamente no pleno emprego e recebe investimentos estrangeiros robustos que devem manter a capacidade de financiamento de dívidas brasileiras em excelente condição. Junte-se a isso a perspectiva de recuperação americana (mais acentuada e mais cedo do que se esperava) e a elevada liquidez global com poucas opções de investimento, o quadro indica que o Brasil será uma economia de forte crescimento por um período longo, talvez mais de uma década. Nosso mercado interno, de uma classe média emergente de mais de 100 milhões de pessoas, atrai olhares de todos os investidores, sejam eles japoneses, chineses, americanos ou europeus.
Do lado do câmbio, mesmo a queda da Selic - e a perspectiva de que as taxas básicas de juros no Brasil ainda podem (e devem) cair abaixo de 10% - não foi suficiente para inverter uma nova onda de valorização de nossa moeda. Na realidade, o governo vem atuando há mais de um ano, com pouco sucesso, para conter a valorização do Real. Dificilmente logrará êxito, pois o que realmente importa para precificar as taxas de câmbio é a oferta e a demanda por essa ou aquela moeda. Como o influxo de capitais estrangeiros superou US$ 60 bilhões líquidos, apenas na vertente de investimentos diretos, os instrumentos que o governo dispõe para direcionar o câmbio são pouco eficientes. Se de fato as autoridades quiserem controlar o câmbio e trazê-lo para uma trajetória de desvalorização, a batalha será muito dura e o risco de danos sérios à nossa economia é elevadíssimo.


Assessoria Técnica

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sobre a China

Em livro recente com o título “Sobre a China”, Henry Kissinger nos dá uma excelente visão da cultura e das estratégias de um povo milenar e, sem dúvida, intrigante. Hoje, mais do que durante todo o século passado, o interesse sobre a China se exacerba, por motivos óbvios: a taxa de crescimento alta, a mega população, o desempenho comercial, a estratégia quase suicida de produção e a centralização de poder. Tudo isso torna a China um país único no mundo, com um modelo praticamente impossível de ser reproduzido ou emulado em outros países.
Apesar de muito interessante e de ser um bom guia para quem quer realmente iniciar estudos mais aprofundados sobre a segunda maior economia do globo, são outros aspectos da China que nos causam mais curiosidades. O passado pode ser estudado e bem entendido por meio do filtro de Kissinger e até ajudar a compreender como o Império do Meio chegou ao ponto atual. Porém, antecipar o que vai acontecer daqui para frente é de suma importância. Neste sentido, uma análise rápida, porém quase cirúrgica de Ricardo Amorim, economista brasileiro, revela um futuro bastante promissor para China e também para o Brasil.
Para Amorim a China está no meio de um processo de crescimento acelerado, ou seja, os últimos 30 anos darão lugar a pelo menos mais 30 anos de acelerado desenvolvimento. Na realidade não interessa o raciocínio de curto prazo, pois em questões econômicas e financeiras a análise muito míope com foco muito restrito pode fazer com que percamos a beleza da paisagem toda. Claro, neste ano ou em um determinado ano entre hoje e as próximas três décadas, momentos de crise podem e devem ocorrer, mas a regra não será essa para a maior parte das economias e nem mesmo para a maior parte dos seres humanos. O mundo ainda deve manter décadas de crescimento acelerado, com inclusão social (relativa, claro) de populações que consomem pouco e consumirão mais (talvez ainda pouco para padrões europeus) ao longo desses 30 anos. Essa é uma boa notícia, e o Brasil, sem muito esforço está bem posicionado.

A lógica de Ricardo Amorim é simples: a China acabou de ver sua população urbana ultrapassar sua população rural. Hoje, a população urbana atinge 51% do total de chineses. Esse padrão era verdadeiro no Brasil pouco depois da Segunda Guerra Mundial, ou seja, 40 ou 50 anos atrás. O processo de urbanização e crescimento acelerado se repetiu (claro que com momentos de interrupção) por mais 30 anos, até atingirmos certa maturidade social e econômica e finalizarmos um ciclo na década de 1980. Se Amorim estiver certo, a China pode mesmo mostrar ao mundo taxas de crescimento elevadas (menores que as atuais, porém elevadas) por mais três décadas.
Vamos a uma conta rápida e arredondada: há mais ou menos 30 anos, no início desse processo chinês alucinante, a população rural era 75% do total. Ou seja, de lá para cá a população urbana dobrou e a rural caiu 1/3. Ou seja, as cidades tiveram que basicamente dobrar de tamanho. Daí a aceleração da construção civil, do consumo de aço, metais, energia e mesmo alimentos. Como a população da China responde por 20% da população global, esses efeitos foram também eles globais. O que se deve ressaltar é que, para que a produção do campo fosse mantida, a produtividade deveria ter subido 50%, o que não ocorreu. Mais uma vez, a demanda mundial por alimentos cresceu, mas a oferta na própria China não acompanhou esse crescimento. Para a China atingir uma distribuição demográfica semelhante à brasileira, as cidades ainda vão praticamente dobrar (o Brasil tem quase 95% da população urbana) e o campo terá que se virar com 5% da população, ou um décimo do contingente atual. Mais, muito mais aço, alimentos, energia, e tudo o que se pode imaginar nos próximos 30 anos. Mais ainda: a produtividade no campo teria que se multiplicar por 10 para que a produção atual fosse mantida. Isso não é muito provável. Boa notícia para quem planta e alimentará o mundo nas próximas décadas.

Como o Brasil se beneficiará disso:
Não só o Brasil, mas muitos países, e a rigor o mundo todo vai se beneficiar dessa descentralização do crescimento e do consumo global. O crescimento chinês, apesar de mais benéfico evidentemente para a China, vai se espalhar pelo mundo. Países como o Brasil que produzem exatamente o que a China precisa (aço, minérios, energia, grãos e alimentos protéicos) serão mais diretamente beneficiados.

Todavia a economia globalizada tem um efeito positivo que se alastra para todos os países. Não é sem motivo que o crescimento global nas duas últimas décadas foi mais acelerado do que a média histórica. Provavelmente assim será por mais duas ou três décadas, e o Brasil vai aproveitar. Cabe a nós maximizar a oportunidade.

Assessoria Técnica

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Estados Unidos continuam com sinais de recuperação

Desde o segundo semestre de 2011, o blog aponta para a tendência de recuperação da maior economia do globo. Um primeiro indicador forte, e não tão evidente, foi o aumento do transporte de carga (calculado por peso) que atingia mais de 8% no primeiro semestre de 2001 em comparação ao primeiro semestre de 2010. Certa vez um grande economista lembrou que é possível avaliar o desempenho da economia do Brasil pelos congestionamentos em São Paulo. Claro, era uma brincadeira sem precisão científica, mas que tinha grande carga de realidade e de lógica. Quem vai de lá para cá e ainda enfrenta trânsito ruim, ou está fazendo isso para ganhar dinheiro, ou para gastar dinheiro. De uma forma ou de outra, o trânsito de carros, caminhões e pessoas tem correlação com o PIB.

Do meio do ano passado para cá, nossa tese de recuperação americana tem sido confirmada, assim como seus efeitos sobre outras economias ou, por exemplo, sobre o desempenho da Bolsa. Muitos dados de emprego, de vendas, de encomendas na indústria americana mostravam esse cenário em evolução positiva. A variável mais defasada certamente é o emprego: a economia demora para desempregar e as empresas também demoram para empregar. O custo dessa manobra, incluir ou retirar trabalhadores de postos de trabalho, é muito caro, portanto empresários tendem a esperar um pouco para saber se há crise duradoura (quando pensam em reduzir seu plantel) e também titubeiam para certificar de que o crescimento veio para ficar. Nos dois últimos meses os dados de emprego têm sido positivos e parecem confirmar que a confiança está gradativamente voltando entre os norte-americanos.
O número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caiu ao menor nível em quase quatro anos na semana passada: segundo o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, o total de pedidos teve queda de 50 mil, para 352 mil, na semana terminada em 14 de janeiro. É o menor número desde abril de 2008 e a maior queda desde setembro de 2005. Analistas previam queda para 385 mil, e o número efetivo foi bem melhor do que as expectativas, que já eram modestamente positivas. Nesse ritmo a economia americana vai evidenciar em breve que o pior ficou no passado e não há a perspectiva de um rebote da crise de 2008. Claro, a Europa é o fator a ser acompanhado e uma eventual ruptura no bloco seria desastrosa para a economia mundial. Porém, o que se espera na realidade é uma solução demorada, complexa e dolorida, mas sem rupturas no continente europeu.

Esses dados vão corroborando nossa posição um pouco mais otimista do que a média para o mundo e, principalmente para o Brasil, da mesma forma que no início do ano passado a FecomercioSP tinha um prognóstico mais modesto do que os analistas em geral para o desempenho do PIB e do varejo. Esperamos acertar mais do que errar novamente e acreditamos que a notícia do emprego nos Estados Unidos é de fato um bom indício de que a maré realmente mudou.
Assessoria Técnica

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Poucas surpresas

Se alguém chegar em uma reunião e vaticinar que a China caminha para ser uma das maiores economias do mundo, provavelmente ninguém ficará surpreso. Talvez alguns presentes até lembrem que o país já é uma das maiores economias do globo, dado que seu PIB é inferior apenas ao dos Estados Unidos. Mesmo se alguém disser que, em meados do século 21 a China vai ultrapassar a economia americana, não haverá comoção. Essas hipóteses são muito prováveis, e, na realidade, nada mais dizem do que: países com renda per capita baixa tendem a crescer mais, dentro das atuais circunstâncias econômicas, do que países desenvolvidos.

Enquanto o mundo crescer e privilegiar preços de commodities e países ainda periféricos conseguirem competir por meio de baixos custos de mão de obra, a tendência de crescimento da periferia é maior que o centro. Essa visão é muito racional e tem grandes probabilidades de se cumprir pelos próximos anos. No entanto, dificilmente ao longo desse percurso as coisas se manterão exatamente como estão. Aliás, a própria caminhada nesse caso, é um fator que vai mudar o desenho das trilhas.
Por exemplo: quando o argumento leva em conta que o baixo custo da mão de obra nestes países se configura em uma vantagem comparativa que vai acelerar seu crescimento econômico, não podemos esquecer que o crescimento econômico ao longo do tempo vai necessariamente elevar o custo relativo da mão de obra e, portanto, reduzir essa vantagem comparativa. Exatamente por isso, as taxas de crescimento se desaceleram. Dessa maneira a Europa cresce menos do que o Brasil que, por sua vez, cresce menos do que a China ou a Índia. Claro, os modelos de políticas econômicas adotados podem acelerar ou retardar um pouco o crescimento, mas não vão se sobrepor nunca ao fundamental: o estágio econômico e social dos países comparados. Ou teríamos que acreditar que ninguém na Europa é competente para fazer o continente crescer como a China. Bastaria então que se importassem os modelos e economistas chineses para França, Alemanha ou Itália. Mas só funcionaria se também fossem importados trabalhadores chineses com remuneração inferior a US$ 50 por mês.

A Goldman Sachs, em 2003, por meio de um trabalho de Jim O’Neil, foi muito feliz em não só identificar e popularizar esse fenômeno de crescimento acelerado de países periféricos, como também por ter gerado o famoso acrônimo BRIC. Neste estudo se revelou que, em 2050, as quatro economias do BRIC (Brasil, Rússia, índia e China) estariam ao lado dos Estados Unidos entre as cinco maiores do mundo. Novamente, isso não deveria surpreender muito, pois essas economias, todas, têm em comum o fato de possuírem grandes populações, muitas riquezas naturais e cada uma, a seu modo, vantagens competitivas em áreas distintas como commodities no Brasil e Índia, mão de obra barata na China e também na Índia, tecnologia mais avançada como nos Estados Unidos e em menor escala na Rússia, fonte de energia exportável como a Rússia e o Brasil. Nenhum outro país do mundo reúne as condições como esses cinco. A grande sacada do estudo, além de popularizar o tema, que já era corriqueiro entre analistas, foi o de criar o termo BRIC para designar as economias que seriam os motores – como estão sendo – do crescimento do PIB e, mais ainda, do consumo mundial.

Mesmo que, tudo correndo exatamente como proposto nessas hipóteses, sendo a China a maior economia global em 2050, é necessário perguntar se dado a um indivíduo a chance de escolher se ele quer nascer na China, na Noruega ou nos Estados Unidos, acreditamos que a primeira alternativa será rapidamente descartada. Um país  com muitos milhões de habitantes tem que ter uma produção absoluta maior do que países de populações muito menores, e para chegarmos a essa conclusão não precisamos de grandes modelos matemáticos ou econométricos.

Assessoria Técnica

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os mercados calmos na segunda semana do ano

Ao contrário de muitas análises, a FecomercioSP alertava há tempos para uma crise europeia de proporções severas, porém que não seria deflagradora de um momento de ruptura. Além de tudo isso, a entidade lembra desde o começo do quarto trimestre de 2011, que a economia americana dava todos os sinais de que estava realmente se recuperando. Os fatos estão, até o momento, confirmando nossas hipóteses que, perto do consenso, são muito otimistas. Nossas hipóteses são apenas realistas e não há nenhum analista da FecomercioSP tentando predizer o improvável e torcendo para o pior apenas para obter os 15 minutos de fama que Andy Warhol garantiu que todos teriam nessa sociedade moderna. Nosso intuito é ser uma fonte de informações, ser o guia de bons negócios e decisões, mesmo que para isso tenhamos que ser óbvios e enfadonhos por muitas vezes.

No entanto, reconhecemos que existem obstáculos complexos a serem transpostos neste ano e que, em grande medida, o que acontecer na Europa ditará o rumo da economia neste e talvez nos próximos anos. Reconhecemos que houve desaceleração de algumas economias na segunda metade do ano passado e reconhecemos, principalmente, que as dificuldades não serão sobrepostas apenas com boas intenções e otimismo. Mas não estamos encontrando elementos para cravar a derrota total do modelo atual já neste ano. Ao contrário, pelos últimos números esse será mesmo um ano de aquecimento econômico (alguns ainda mais otimistas acreditam que já no primeiro trimestre isso ficará claro) e é mais provável que o Banco Central comece a falar em elevação de juros ainda em 2012 do que manter a trajetória da Selic em queda até o ano que vem.
Nesse ambiente, se for ratificada a retomada americana, e não havendo ruptura na Europa (as duas hipóteses são mais prováveis do que os resultados opostos), os investimentos em ações devem mesmo trazer bons retornos e o nível de emprego, renda e consumo será conservado. Além disso, é provável que neste bojo a própria indústria – setor que sofreu muito neste ano com a competição internacional – possa mostrar também sua resistência e voltar a crescer. Os números mais relevantes dos mercados no curto prazo seguem abaixo:




Assessoria Técnica

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Mudanças de pesos do IPCA denotam avanço da economia brasileira

Os índices de preços servem, à priori, para que se possa acompanhar o poder de compra da moeda e, em última análise, do salário médio de um grupo de pessoas. No caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), por exemplo, o indicador é escolhido para ser a referência de inflação no sistema de metas inflacionárias, e, portanto, serve como referência geral do que o Banco Central considera como poder de compra da Moeda. Também é verdade que o IPCA é coletado em diversas capitais do País, mas ainda não se “interiorizou” e por isso não pode ser considerado como medida perfeita de inflação de preços. Mas a rigor, nenhum índice é medida perfeita, nem de inflação, nem de vendas, nem de qualquer coisa. O IPCA se presta de forma excelente ao que se propõe.

Mas, além de servir de índice de preços oficial e de padrão médio de poder de compra das famílias brasileiras, o indicador traz, em sua própria constituição, uma radiografia do consumo dos brasileiros ao longo dos anos. O conceito de indicador de preços obriga a entidade que confecciona o índice – no caso o IBGE – faça uma pesquisa para identificar o peso de cada item de consumo sobre o orçamento das famílias. Daí surge a POF (Pesquisa de Orçamento Familiar). Essa minuciosa pesquisa, feita hoje em dia em mais de 250 mil lares brasileiros ao longo de muitos meses, como se pode imaginar, custa caríssimo. Além de seu custo, a excelência técnica do IBGE acaba por impor um longo prazo de processamento. Por exemplo, a POF que estava sendo utilizada para cálculo do IPCA era a de 2002/2003. A mais recente foi feita em 2008/2009 e somente a partir de 2012 o indicador de preços vai incorporar essa nova estrutura de pesos.

O IPCA demanda muito tempo, e muitos recursos, mas além de proporcionar um excelente calibrador e parâmetro do poder de compra do Real, também gera, como produto derivado, um rol de informações sociais (dinâmicas e estáticas) muito relevante. Por meio do estudo das ponderações de itens e grupos de gastos da família média brasileira, podemos tirar conclusões das mais relevantes, tanto com relação ao status momentâneo, como com relação à sua dinâmica.

Por exemplo, a nova estrutura mostrou as modificações explícitas na tabela abaixo, e dela podemos fazer algumas ilações e tirar algumas conclusões.


Esses números mostram claramente que o consumo no Brasil evoluiu, como era de se esperar e como a FecomercioSP vem alertando nos últimos anos. O grupo de gastos com Serviços cresceu relativamente aos outros. A entidade sempre salientou que é o setor de Serviços que tem sustentado o crescimento e o dinamismo do País. Também fica evidente que, dentro do grupo de bens, o subgrupo dos duráveis ganhou espaço frente ao subgrupo dos não duráveis - ainda que o grupo de bens como um todo tenha perdido espaço para serviços. Essas mudanças mais do que evidenciam, elas comprovam que o crescimento da renda e do emprego é a melhor (senão única) forma de distribuir o bem-estar.  Quanto menor for o peso do consumo de bens e serviços básicos sobre o orçamento familiar, maior o grau de escolha, de decisão e sofisticação ao alcance da população. Em outras palavras: TV a Cabo e Viagens ao Exterior não são mais apenas coisas de rico.

Assessoria Técnica

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Os mercados na primeira semana do ano

Começa bem o ano de 2012 nos mercados financeiros. O termômetro clássico no Brasil é o Ibovespa, que iniciou o ano bastante acelerado, mas acabou reduzindo um pouco o ímpeto ao longo da semana. De qualquer forma, fecha a primeira semana em alta enquanto o dólar fecha em leve queda, relativamente ao final de 2011. Esse comportamento ainda não pode ser considerado um indicativo para o ano, até mesmo porque rigorosamente nada mudou desde a última sexta-feira do ano de 2011, a não ser o novo calendário. Existe certo fetiche com relação às viradas de anos ou décadas, mas em termos econômicos pouco significa.
Nossa perspectiva é de que o ano seja razoavelmente bom, e que, ao final de 2012, estejamos comemorando a aceleração da economia, justamente em oposição ao que ocorreu em 2011. O País ultrapassou bem o primeiro período de crise recente, quando, em 2009, apenas deixou de crescer, mas não entrou em recessão. Neste momento de crise com epicentro europeu - que até pode ser considerado a continuidade da crise iniciada em 2008 – cremos que nossa economia possa ter desempenho ainda melhor do que em 2009, e acelerar. Motivos para esse prognóstico não faltam:

1.    O País está bastante guarnecido de reservas internacionais;

2.    Estamos mantendo bom volume de corrente de comércio e até incrementando exportações;

3.    Não se espera uma forte queda de commodities como ocorreu em 2009;

4.    A crise europeia tende a se arrastar, porém os esforços para resolvê-la ou ao menos não deixá-la fora de controle são visíveis;

5.    A maior economia do mundo (Estados Unidos) está dando sucessivos sinais de que está em recuperação;

6.    A China pode até desacelerar um pouco, mas tende a se manter crescendo muito, o que garante um piso elevado para preços das commodities energéticas e agropecuárias;

7.    O mercado interno brasileiro é muito relevante para o desempenho de nossa economia, e com a manutenção de emprego e de crescimento da massa de rendimentos, a tendência é de que o contágio externo seja modesto – salvo se a situação na Europa sair de controle, hipótese muito pouco provável.

Com isso em vista, a tendência para o ano, em nossas apostas, é de um bom desempenho para empresas brasileiras e com reflexo sobre o Ibovespa, que dificilmente repetirá o mau desempenho de 2011. Vamos acompanhar os indícios para indicar um momento de maior segurança para quem quer se aventurar no mercado acionário. Se ao longo de todo o ano passado nos posicionamos contrariamente aos investimentos em renda variável, podemos dizer que aparentemente o momento de voltar às bolsas está se aproximando.




Assessoria Técnica

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Aumento do salário mínimo vai para o consumo

Segundo os cálculos de várias entidades, o acréscimo de R$ 77,00 para o Salário Mínimo (S.M.) - passará de R$ 545 para R$ 622 - vai injetar pouco menos de R$ 50 bilhões na economia. Na realidade a conta não é exatamente esta, pois se esses R$ 50 bilhões entram na forma de salário, eles por outro lado, saem na forma de folha de pagamentos, que acaba reduzindo o resultado das empresas, e do governo e de todos que pagam salários. Ou seja, uma parte dos R$ 50 bilhões é apenas transferência. De qualquer forma há um efeito distributivo respeitável que ocorra a partir de janeiro, o que, no final das contas amplia o consumo geral.

Se o total desses R$ 50 bilhões fosse para o consumo, sem os efeitos negativos para quem paga, isso representaria 4% do total faturado pelo varejo em 2011 no Brasil. O número não é nada desprezível, e, mesmo que apenas uma parte (50% ou 60% desse montante) seja efetivamente ganho líquido no circuito econômico, ainda assim falamos de mais de 2% do faturamento do varejo ou 0,5% do PIB. É importante lembrar que esse volume de dinheiro tem efeito distributivo quando sai do caixa das empresas e do governo, pois a propensão média a consumir de quem ganha Salário Mínimo é elevadíssima, acima da média e, portanto, vai circular, gerando mais emprego e movimentando a economia.
Em termos reais o crescimento de 14% do S.M. será um aumento real superior a 7%, dado que a inflação deste ano vai fechar em 6,5%. Tudo somado haverá um impulso bastante importante de consumo das famílias, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, regiões onde o salário mínimo é mais predominante. Esse mecanismo de ganhos continuados para os rendimentos mais baixos é bom, porém tem limites, pois se não os houvesse, só seria pobre o país que desejasse sê-lo. De outra forma: não se gera riqueza infinita por decreto, mas se pode melhorar a distribuição de renda com medidas razoáveis e paulatinas. Todavia o limite para o crescimento do Salário Mínimo pode estar se aproximando. Esse limite se dará quando o S.M. atingir o patamar dos pisos salariais das categorias mais numerosas do país como comerciários, ajudantes, etc. Neste momento, o aumento de S.M. vai provocar desemprego e/ou informalidade e não mais distribuição de renda.

Há necessidade de encontrar uma saída de longo prazo para estratégias distributivas como os salários básicos ou programas como o Bolsa Família. No caso, o programa social do governo padece do mesmo vício de origem: é muito bom para dar suporte social inicial e garantir a dignidade a quem está margeando a miséria, mas não pode ser estratégia de distribuição de renda de longo prazo. Tem que ser a porta de entrada, e não um destino final das famílias. No longo prazo, somente o crescimento econômico é capaz de reduzir a patamares aceitáveis os níveis de pobreza. Claro, o crescimento econômico deverá ser acompanhado de uma modificação tributária que torne o sistema mais progressivo e menos oneroso para a sociedade e principalmente os assalariados. Somente assim o Estado estará induzindo o crescimento e conduzindo a equidade no País ao longo de décadas e não num breve instante no tempo.
Assessoria Técnica

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Pressão dos importados sobre os produtos nacionais será ainda mais forte em 2012

O Conselho de Planejamento Estratégico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) se reuniu nesta segunda-feira (19) para um balanço econômico de 2011 e falar das expectativas para o próximo ano.

O presidente do Conselho, Paulo Rabello de Castro, que conduziu a reunião, abriu o debate fazendo uma comparação entre as projeções de crescimento de países desenvolvidos e o Brasil, que deverá crescer cerca de 3%.
Para os Estados Unidos, Japão e Reino Unido, o PIB não deverá chegar a 1%. Nos países da zona do euro, a situação será pior, ficando em torno de -1,2%. Entre os Brics, no entanto, a expectativa é de que o Brasil fique na última posição já que Rússia crescerá cerca de 3%, Índia, 6% e China 8%.
Rabello de Castro enfatiza que a lentidão brasileira se deve à menor dedicação quanto aos investimentos, mesmo em anos que antecedem a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. “Apesar da construção de estádios e da aceleração e retomada do crescimento nos últimos anos, observamos que nossos investimentos são menores, principalmente se formos comparados a países asiáticos”, diz Rabello.
A competitividade no mercado interno e os reflexos da crise dos países ricos sobre o Brasil, também foram analisados. Para o economista chefe do Bradesco, Otávio de Barros, a pressão dos importados será ainda maior em 2012, já que mercados como Europa e Estados Unidos enfrentam recessão enquanto o consumidor brasileiro está adquirindo bens de consumo como nunca. “O Brasil é o quarto maior consumidor de carros, mas é o sexto produtor. Isso se deve aos importados, que ganham mercado cada vez mais”, analisa.
Em relação à política econômica interna, a FecomercioSP acredita o governo adotará novamente o receituário usado ao final de 2008 para enfrentar a crise dos Estados Unidos naquele momento: redução de juros, manutenção do crédito através dos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Federal e BNDES), desoneração tributária pontual (redução do IPI na Linha Branca, por exemplo) e medidas para proteger a indústria nacional.
Para a entidade essa “prescrição” certamente poderia ser aprimorada com uma redução definitiva efetiva e generalizada do IPI para todos os setores. A entidade também vê com preocupação medidas “contrabandeadas” nos pacotes de manutenção do nível de atividade. Mais precisamente assustam as medidas que camuflam intenções protecionistas que vão prejudicar o consumidor e o desempenho de longo prazo do País sob o véu da defesa do emprego e do consumo.

O ritual de sobe e desce continua...e continuará

Já faz um bom tempo que os mercados estão invertendo os sinais semana após semana. Claro, o objeto desse fenômeno é a situação na Europa, que continua bastante complicada. Na realidade, continua e continuará bastante complexa por muito tempo. Não há porque esperar que a situação dos 27 países do bloco europeu e dos 17 que contam com a moeda única, seja resolvida em breve. O problema é tão grande quanto a economia do Bloco, portanto, a solução necessária também deverá ser proporcionalmente complicada e demorada.
Nosso boletim tem alertado para o que chamamos de solução aos poucos. Claro, os sinais de que não haverá desintegração do Euro vão sendo dados. Ao mesmo tempo, novos problemas e divergências aparecem, como, por exemplo, o novo entrevero entre França e Inglaterra, mais especificamente entre o presidente francês e o primeiro ministro britânico. Essa situação é natural, dado que um processo de ajuste dessa magnitude traz além das complexidades técnicas, a necessidade de costuras políticas internas a cada país nada simples.
Nossas projeções são de que, um pacote completo de medidas jamais seja adotado, e, ao contrário, as medidas serão tomadas paulatinamente, o que, no final deve se configurar como um projeto concatenado, porém que será construído mesmo aos pedaços. Isso nos parece que tem ficado claro. A cada momento de maior tensão (quando as bolsas caem e o Euro apanha de outras moedas) segue-se um anúncio de adoção de medidas de certa importância. Após esses anúncios, seguem-se as avaliações de efeitos e, quase sempre, a percepção de que o que foi divulgado não dá conta de resolver toda a situação. E não deveria dar conta mesmo, pois as medidas estão buscando resolver problemas pontuais e ao mesmo tempo irem incrementando o arcabouço de medidas disponíveis até que, em determinado momento, a situação tenha sido totalmente controlada. É um processo incremental e não de saltos.
Finalmente, mas não menos importante, é o fato de a Alemanha ter como forte aliada neste  projeto de resgate/salvação do Euro e da comunidade, a França. São justamente as nações que tiveram problemas e disputas históricas muito profundas, e que, sem momentos de crise econômica, fizeram eclodir as duas maiores guerras do século passado. Esse fator não pode passar despercebido, pois já há profetas do apocalipse prevendo que essa crise europeia pode ir além da desintegração do Bloco, com efeitos no campo de conflitos internos aos países e também entre nações. Esse não parece um quadro provável, e sim uma aposta de alguém que quer atenção e vive do sensacionalismo. Claro, confrontos entre trabalhadores, polícia, grevistas, governos e embates ideológicos tendem mesmo a se exacerbar nesse momento, porém as principais lideranças do continente estão dando claros sinais que preferem o diálogo e o ajuste, ainda que custoso, do que os custos da desintegração e da perda da moeda única ou, pior, a deflagração de confrontos entre nações. Esse cenário está fora de nossas projeções, apesar de ser a crise econômica europeia mais profunda do pós Segunda Guerra Mundial.
Assessoria Técnica