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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Mais feriados, menos produção

Estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro aponta perdas de R$ 45 bilhões ou 4,4% de seu produto potencial no ano por conta dos feriados oficiais e das “pontes” quando ocorrerem nas terças e quintas-feiras. O cálculo é relativamente simples: estima-se o total da produção industrial, divide-se pelo número de dias e sabemos então, quanto é produzido por dia. A FecomercioSP estima que o cálculo tem algumas imprecisões, pois provavelmente é possível transferir produção de um dia para o outro – ainda que não de forma completa e perfeita – e também é provável que a indústria dependa mais da demanda para produzir do que do número de feriados.

De qualquer forma, é verdade que quanto mais feriados, maior o esforço que o setor industrial, principalmente na transformação, terá que imprimir para produzir. Independentemente de haver queda proporcional de produção por conta dos feriados, o fato é que são dias parados que são pagos, o que encarece o preço da produção nacional, vis-a-vis com economias que têm menos feriados, como a da China, hoje nosso principal concorrente no produto industrializado. Ou seja, se há de fato a queda de R$ 45 bilhões no produto anual não interessa, porque o custo para produzir cresce com o aumento dos feriados.
Para a FecomercioSP os efeitos dos feriados sobre o PIB recaem mais sobre a indústria no sentido de potencial produtivo. No caso dos setores de Serviços e de Comércio, há um deslocamento do consumo de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, para regiões de veraneio e de descanso como a Baixada Santista ou a região serrana do Rio. Se empresários desses locais forem perguntados quanto aos efeitos dos feriados sobre a economia, suas respostas serão positivas, certamente. Para o setor de Turismo, outro segmento representado pela FecomercioSP, o aumento de feriados é ainda melhor, pois estimula o fluxo de viagens e aumenta as chances de que um indivíduo escolha ao menos um desses períodos para viajar. Para os setores de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o efeito negativo se dá pelo aumento do valor da hora paga, mas em geral é compensado pelo incremento da demanda.

Concluindo, há um equilíbrio entre não haver nenhum feriado no ano e um volume muito grande de datas em que parte dos negócios está parada. Os feriados possibilitam, conforme explanado, a distribuição do fluxo de consumo entre regiões do País, estimula o turismo e no final das contas, serve para relaxar e descansar a mão de obra, o que traz efeitos positivos sobre a produtividade. Por outro lado, o número exagerado de feriados vai comprometer o volume total de produção industrial, sem que haja queda nos salários pagos, o que reduz a competitividade da indústria nacional. Como tudo, o caminho do meio é sempre melhor do que os extremos.

Assessoria Técnica

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Espaço para cair

Uma análise mais detida sobre os números do PIB e das principais atividades econômicas no Brasil, no Estado de São Paulo e na capital paulista, mostra que o processo de transformação econômica favorável ao setor de Serviços ainda tem um longo caminho a ser perseguido. Foram inúmeros os artigos e estudos escritos no âmbito da FecomercioSP que justificam a adoção de uma nova política econômica no Brasil que, em primeiro lugar, dê ao setor terciário o status que o setor merece. Em segundo lugar, que pense em um novo modelo educacional no Brasil que contemple as alterações dinâmicas e as necessidades do mercado de trabalho, ao invés de apenas reformar um modelo de conceito antigo, que foi adequado para o Brasil industrial pós Getúlio Vargas. O quadro abaixo mostra como a participação do setor de Serviços cresce na medida em que o PIB/Capita aumenta.
Neste sentido, o título é voltado para a constante – e recente – disposição do setor industrial em pressionar o poder público para adoção de medidas protecionistas, ou mesmo pelo seu esforço em capturar os formuladores de políticas econômicas. Esse fato fica evidenciado pela enorme distorção no fomento que o BNDES, por exemplo, faz ao setor Industrial em detrimento do setor de Serviços.  A indústria hoje representa menos da metade do emprego e do produto nacional que é gerado no terciário. Ou seja, as políticas tradicionais e protecionistas, além de prejudicarem o andamento da economia em seu todo e de reduzirem o bem-estar dos consumidores que se veem com menos opções e pagando mais caro, são, no final do dia, ineficazes e ineficientes. Essas políticas protecionistas, voltadas ao tradicional conceito de economia industrial, apenas atrasam o inevitável: o avanço do setor mais dinâmico da economia, em paralelo ao aumento de renda e consumo.  Por isso mesmo, podemos dizer que ainda há espaço para a indústria ver sua participação na composição do PIB cair.
Nos Estados Unidos, onde a indústria representa 22% do PIB e o setor de Serviços mais de 76%, o PIB per capita é, em termos arredondados, R$ 90 mil. No Brasil, o PIB per capita é de R$ 21 mil, no Estado de São Paulo R$ 34 mil, e na capital de R$ 44 mil. Parece evidente que, quanto maior a renda local, maior a participação do setor terciário no PIB. A relação causal é difícil de estabelecer. O setor de Serviços cresce por que a renda é alta ou a renda é alta porque o setor de serviços é preponderante na região? Essa pergunta tipo “Economia Tostines” tende a ser respondida assim: na realidade os fenômenos ocorrem em paralelo. Portanto, se o Brasil hoje tem um setor industrial que responde por 27% do PIB e Serviços respondendo por 67% do PIB, é bom imaginar o futuro próximo (o início da próxima década, provavelmente) com uma participação do setor industrial menor do que 25% e contar com mais de 70% do produto sendo gerado no setor terciário.

O crescimento da renda sofistica o consumo, e esse novo consumidor, depois de se abastecer de produtos agrícolas básicos (na feira) de estar com a casa repleta de bens duráveis e com um carro na garagem, vai aumentar significativamente seu consumo de lazer, planos de saúde, academias, educação, cinema, teatro, TV a Cabo, Internet, Telefonia Móvel entre outros serviços.
 

Assessoria Técnica

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

São Paulo ainda é o motor de nossa economia

O PIB mundial ronda a casa dos US$ 50 trilhões, o que faz com que os Estados Unidos sejam responsáveis por cerca de 30% de todas as riquezas geradas no planeta. O PIB brasileiro está atingindo a casa dos US$ 2,3 trilhões e, deste total, o Estado de São Paulo representa 1/3. De forma geral, podemos dizer que o Estado de São Paulo representa para o Brasil o que os Estados Unidos representam para o mundo. Isso traz uma série de consequências bastante importantes:

1.    A inércia de São Paulo, crescendo ou estagnado, é de fato o que conduz o País;
2.    Quando São Paulo cresce, é mais fácil de irradiar esse efeito para o Brasil, mas quando São Paulo está estagnado, há poucas probabilidades de algum outro Estado isoladamente suprir essa falta de crescimento;

3.    O setor de serviços de São Paulo é extremamente relevante para toda a economia brasileira;

4.    As políticas de estímulo ao desenvolvimento deveriam, então, partir de São Paulo para o País e ter como foco o setor de serviços.
 

O quadro abaixo mostra como está dividido o PIB da capital e do Estado de São Paulo e dos Estados Unidos. Até mesmo a participação de cada setor na economia guarda muita semelhança entre São Paulo e EUA.


Esses dados mostram que a riqueza está sendo gerada em todos os setores, e não há porque mais se falar apenas em política industrial de fomento aos tradicionais “campeões” da década de 1970. Se o BNDES quiser modernizar o País e alavancar emprego, renda e distribuição de bem-estar terá que, antes, modernizar a si mesmo. As políticas públicas de desenvolvimento e os focos de financiamento terão, necessariamente, que passar pelo setor de serviços e também devem olhar com maior atenção para o Estado que mais gera renda, emprego e PIB em qualquer setor da economia.

Assessoria Técnica

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A indústria automobilística tem motivos para comemorar a década

Nos últimos meses a indústria, e em particular o setor automobilístico, tem adotado um discurso um tanto exacerbado quanto ao mau desempenho em 2011. Na realidade, ainda que o ano termine com crescimento muito modesto da indústria, o resultado é pontual e não deve ser encarado como o início de um processo de desindustrialização nacional. Claro, o exagero de linguagem usada tem serventia na hora de se fazer pressão sobre o poder público. Não desconhecemos as dificuldades de todos os empresários no Brasil, inclusive da indústria. São tributos demais, serviços de menos, insegurança, falta de infraestrutura e todo o rosário de dificuldades que sempre desfiamos e o leitor já conhece muito bem. No caso da indústria, nesse momento, pesa mais a valorização cambial, pois encarece produtos nacionais e estimula a importação de similares concorrentes. Vale só lembrar um ponto importante: a indústria é também o setor que mais importa, portanto, se do lado do ativo está ruim trabalhar com a valorização de nossa moeda, o passivo está sendo favorecido pelo dólar barato.

A indústria automobilística tem tido desempenho espetacular no Brasil, registrando recordes múltiplos de produção e vendas. Estudo mais detalhado e não casuístico dos resultados desde 1999 mostra que, em resumo, o avanço da produção e das vendas é inegável e invejável. Talvez nenhum outro setor tenha tido tamanho desempenho acumulado em mais de uma década. Evidentemente, em alguns momentos (poucos, conforme se mostrará) houve retração, desempenho negativo, mas a média do longo prazo é excepcional, e surpreende que o País continue a bater recordes de vendas e produção. Mesmo com a importação crescendo, a absorção do produto nacional continua a crescer de forma muito evidente. A tabela a seguir vale mais do que mil palavras:



Estudamos a produção nacional de veículos (leves, motos, ônibus e caminhões), as vendas de produto nacional, de produto importado e as exportações. Os números marcados em vermelho são os anos de retração das variáveis estudadas e em azul o número recorde. Como se pode notar, os recordes estão quase todos marcados no ano de 2010, e provavelmente muitos vão migrar para 2011, por conta do desempenho das variáveis estudadas até o momento e das projeções. Como se percebe, as exportações caíram entre 2005 e 2009, mas tiveram boa recuperação em 2010, apesar do câmbio. Ou seja, a taxa cambial não pode ser responsabilizada isoladamente pelo desempenho das exportações. Mais do que isso, a absorção interna (aquisição de nacionais e importados) e a absorção de veículos nacionais (venda interna de nacionais somadas às exportações de nossa produção) estão crescendo desde 2004, consecutivamente. A produção nacional vem crescendo, a importação também, mas os estoques não estão se acumulando.
Tudo indica, inclusive, que as exportações são variáveis estratégicas para a indústria que avança mais sobre o mercado externo quando o mercado interno não vai tão bem, provando que exportar também é uma questão de opção, em grande medida. Claro, vender ao mercado interno é a melhor opção para a indústria, até porque o cliente já é um velho conhecido e o grau de exigência ainda não se compara com o internacional. Até mesmo por isso a briga contra os importados extrapola o problema imediato de desovar a produção nacional. Pode ser simplesmente uma estratégia para que o consumidor não fique muito acostumado com veículos importados de preço competitivo, com características melhores e atendimento ao cliente diferenciado. Vale mencionar que os dados acima são todos da ANFAVEA, o que torna oficial para contrapor a posição de que há risco de encalhe da produção nacional. Na realidade, a variação de estoques (produção nacional + importação – vendas internas de nacionais – exportações) tem sido negativa nos últimos anos. Como essas vendas são no atacado, quem poderia reclamar são as concessionárias, pois parte do estoque ainda pode estar parado nas lojas, mas mesmo isso é duvidoso que tenha sido recorrente durante os últimos 12 anos. Antes disso um ajuste teria sido feito, com encomendas menores o que faria a indústria reduzir o ritmo. Abaixo a tabela de variações ano a ano e da variação acumulada e a média anual dos 12 anos, de cada variável, para completar o raciocínio.


Assessoria técnica