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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Mais feriados, menos produção

Estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro aponta perdas de R$ 45 bilhões ou 4,4% de seu produto potencial no ano por conta dos feriados oficiais e das “pontes” quando ocorrerem nas terças e quintas-feiras. O cálculo é relativamente simples: estima-se o total da produção industrial, divide-se pelo número de dias e sabemos então, quanto é produzido por dia. A FecomercioSP estima que o cálculo tem algumas imprecisões, pois provavelmente é possível transferir produção de um dia para o outro – ainda que não de forma completa e perfeita – e também é provável que a indústria dependa mais da demanda para produzir do que do número de feriados.

De qualquer forma, é verdade que quanto mais feriados, maior o esforço que o setor industrial, principalmente na transformação, terá que imprimir para produzir. Independentemente de haver queda proporcional de produção por conta dos feriados, o fato é que são dias parados que são pagos, o que encarece o preço da produção nacional, vis-a-vis com economias que têm menos feriados, como a da China, hoje nosso principal concorrente no produto industrializado. Ou seja, se há de fato a queda de R$ 45 bilhões no produto anual não interessa, porque o custo para produzir cresce com o aumento dos feriados.
Para a FecomercioSP os efeitos dos feriados sobre o PIB recaem mais sobre a indústria no sentido de potencial produtivo. No caso dos setores de Serviços e de Comércio, há um deslocamento do consumo de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, para regiões de veraneio e de descanso como a Baixada Santista ou a região serrana do Rio. Se empresários desses locais forem perguntados quanto aos efeitos dos feriados sobre a economia, suas respostas serão positivas, certamente. Para o setor de Turismo, outro segmento representado pela FecomercioSP, o aumento de feriados é ainda melhor, pois estimula o fluxo de viagens e aumenta as chances de que um indivíduo escolha ao menos um desses períodos para viajar. Para os setores de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o efeito negativo se dá pelo aumento do valor da hora paga, mas em geral é compensado pelo incremento da demanda.

Concluindo, há um equilíbrio entre não haver nenhum feriado no ano e um volume muito grande de datas em que parte dos negócios está parada. Os feriados possibilitam, conforme explanado, a distribuição do fluxo de consumo entre regiões do País, estimula o turismo e no final das contas, serve para relaxar e descansar a mão de obra, o que traz efeitos positivos sobre a produtividade. Por outro lado, o número exagerado de feriados vai comprometer o volume total de produção industrial, sem que haja queda nos salários pagos, o que reduz a competitividade da indústria nacional. Como tudo, o caminho do meio é sempre melhor do que os extremos.

Assessoria Técnica

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Mercado eleva estimativas para PIB e inflação

Os mercados estão apostando em um PIB crescendo 3,30%, um pouco mais do que os 3,27% previstos anteriormente. Para o IPCA a aposta subiu de 5,28% para 5,29%. Na realidade os movimentos entre uma projeção e outra foram muito modestos, mas indicam que gradativamente as projeções do mercado, divulgadas no boletim Focus do Banco Central (http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp) estão convergindo para o mesmo patamar das projeções feitas pela FecomercioSP no final de 2011. 

A FecomercioSP no final de 2011 divulgou suas expectativas para este ano. Na realidade não temos a pretensão de acertar na segunda casa decimal. A rigor, não temos precisão e não acreditamos que alguém chegue a essa sofisticação. Exatamente por isso traçamos um cenário básico, que consideramos ter mais de 80% de chance de ocorrer e outros alternativos para melhor ou para pior, com menos de 10% de chance para cada um.


Em se tratando apenas do cenário provável, na realidade o risco está na necessidade de novas projeções mais elevadas tanto para a inflação quanto para o PIB. Os técnicos da FecomercioSP ainda estão bastante confortáveis com a projeção do IPCA, mas começam a identificar sinais que podem pressionar o crescimento um pouco para cima. Ao final do primeiro trimestre provavelmente serão feitos ajustes nas projeções e a tendência é de melhorar a projeção do PIB, reduzir um pouco o déficit em contas correntes e elevar a aposta para a balança comercial. Enquanto isso, vamos acompanhando o desenrolar dos fatos.

Assessoria Técnica

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Espaço para cair

Uma análise mais detida sobre os números do PIB e das principais atividades econômicas no Brasil, no Estado de São Paulo e na capital paulista, mostra que o processo de transformação econômica favorável ao setor de Serviços ainda tem um longo caminho a ser perseguido. Foram inúmeros os artigos e estudos escritos no âmbito da FecomercioSP que justificam a adoção de uma nova política econômica no Brasil que, em primeiro lugar, dê ao setor terciário o status que o setor merece. Em segundo lugar, que pense em um novo modelo educacional no Brasil que contemple as alterações dinâmicas e as necessidades do mercado de trabalho, ao invés de apenas reformar um modelo de conceito antigo, que foi adequado para o Brasil industrial pós Getúlio Vargas. O quadro abaixo mostra como a participação do setor de Serviços cresce na medida em que o PIB/Capita aumenta.
Neste sentido, o título é voltado para a constante – e recente – disposição do setor industrial em pressionar o poder público para adoção de medidas protecionistas, ou mesmo pelo seu esforço em capturar os formuladores de políticas econômicas. Esse fato fica evidenciado pela enorme distorção no fomento que o BNDES, por exemplo, faz ao setor Industrial em detrimento do setor de Serviços.  A indústria hoje representa menos da metade do emprego e do produto nacional que é gerado no terciário. Ou seja, as políticas tradicionais e protecionistas, além de prejudicarem o andamento da economia em seu todo e de reduzirem o bem-estar dos consumidores que se veem com menos opções e pagando mais caro, são, no final do dia, ineficazes e ineficientes. Essas políticas protecionistas, voltadas ao tradicional conceito de economia industrial, apenas atrasam o inevitável: o avanço do setor mais dinâmico da economia, em paralelo ao aumento de renda e consumo.  Por isso mesmo, podemos dizer que ainda há espaço para a indústria ver sua participação na composição do PIB cair.
Nos Estados Unidos, onde a indústria representa 22% do PIB e o setor de Serviços mais de 76%, o PIB per capita é, em termos arredondados, R$ 90 mil. No Brasil, o PIB per capita é de R$ 21 mil, no Estado de São Paulo R$ 34 mil, e na capital de R$ 44 mil. Parece evidente que, quanto maior a renda local, maior a participação do setor terciário no PIB. A relação causal é difícil de estabelecer. O setor de Serviços cresce por que a renda é alta ou a renda é alta porque o setor de serviços é preponderante na região? Essa pergunta tipo “Economia Tostines” tende a ser respondida assim: na realidade os fenômenos ocorrem em paralelo. Portanto, se o Brasil hoje tem um setor industrial que responde por 27% do PIB e Serviços respondendo por 67% do PIB, é bom imaginar o futuro próximo (o início da próxima década, provavelmente) com uma participação do setor industrial menor do que 25% e contar com mais de 70% do produto sendo gerado no setor terciário.

O crescimento da renda sofistica o consumo, e esse novo consumidor, depois de se abastecer de produtos agrícolas básicos (na feira) de estar com a casa repleta de bens duráveis e com um carro na garagem, vai aumentar significativamente seu consumo de lazer, planos de saúde, academias, educação, cinema, teatro, TV a Cabo, Internet, Telefonia Móvel entre outros serviços.
 

Assessoria Técnica

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

São Paulo ainda é o motor de nossa economia

O PIB mundial ronda a casa dos US$ 50 trilhões, o que faz com que os Estados Unidos sejam responsáveis por cerca de 30% de todas as riquezas geradas no planeta. O PIB brasileiro está atingindo a casa dos US$ 2,3 trilhões e, deste total, o Estado de São Paulo representa 1/3. De forma geral, podemos dizer que o Estado de São Paulo representa para o Brasil o que os Estados Unidos representam para o mundo. Isso traz uma série de consequências bastante importantes:

1.    A inércia de São Paulo, crescendo ou estagnado, é de fato o que conduz o País;
2.    Quando São Paulo cresce, é mais fácil de irradiar esse efeito para o Brasil, mas quando São Paulo está estagnado, há poucas probabilidades de algum outro Estado isoladamente suprir essa falta de crescimento;

3.    O setor de serviços de São Paulo é extremamente relevante para toda a economia brasileira;

4.    As políticas de estímulo ao desenvolvimento deveriam, então, partir de São Paulo para o País e ter como foco o setor de serviços.
 

O quadro abaixo mostra como está dividido o PIB da capital e do Estado de São Paulo e dos Estados Unidos. Até mesmo a participação de cada setor na economia guarda muita semelhança entre São Paulo e EUA.


Esses dados mostram que a riqueza está sendo gerada em todos os setores, e não há porque mais se falar apenas em política industrial de fomento aos tradicionais “campeões” da década de 1970. Se o BNDES quiser modernizar o País e alavancar emprego, renda e distribuição de bem-estar terá que, antes, modernizar a si mesmo. As políticas públicas de desenvolvimento e os focos de financiamento terão, necessariamente, que passar pelo setor de serviços e também devem olhar com maior atenção para o Estado que mais gera renda, emprego e PIB em qualquer setor da economia.

Assessoria Técnica

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Estados Unidos continuam com sinais de recuperação

Desde o segundo semestre de 2011, o blog aponta para a tendência de recuperação da maior economia do globo. Um primeiro indicador forte, e não tão evidente, foi o aumento do transporte de carga (calculado por peso) que atingia mais de 8% no primeiro semestre de 2001 em comparação ao primeiro semestre de 2010. Certa vez um grande economista lembrou que é possível avaliar o desempenho da economia do Brasil pelos congestionamentos em São Paulo. Claro, era uma brincadeira sem precisão científica, mas que tinha grande carga de realidade e de lógica. Quem vai de lá para cá e ainda enfrenta trânsito ruim, ou está fazendo isso para ganhar dinheiro, ou para gastar dinheiro. De uma forma ou de outra, o trânsito de carros, caminhões e pessoas tem correlação com o PIB.

Do meio do ano passado para cá, nossa tese de recuperação americana tem sido confirmada, assim como seus efeitos sobre outras economias ou, por exemplo, sobre o desempenho da Bolsa. Muitos dados de emprego, de vendas, de encomendas na indústria americana mostravam esse cenário em evolução positiva. A variável mais defasada certamente é o emprego: a economia demora para desempregar e as empresas também demoram para empregar. O custo dessa manobra, incluir ou retirar trabalhadores de postos de trabalho, é muito caro, portanto empresários tendem a esperar um pouco para saber se há crise duradoura (quando pensam em reduzir seu plantel) e também titubeiam para certificar de que o crescimento veio para ficar. Nos dois últimos meses os dados de emprego têm sido positivos e parecem confirmar que a confiança está gradativamente voltando entre os norte-americanos.
O número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caiu ao menor nível em quase quatro anos na semana passada: segundo o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, o total de pedidos teve queda de 50 mil, para 352 mil, na semana terminada em 14 de janeiro. É o menor número desde abril de 2008 e a maior queda desde setembro de 2005. Analistas previam queda para 385 mil, e o número efetivo foi bem melhor do que as expectativas, que já eram modestamente positivas. Nesse ritmo a economia americana vai evidenciar em breve que o pior ficou no passado e não há a perspectiva de um rebote da crise de 2008. Claro, a Europa é o fator a ser acompanhado e uma eventual ruptura no bloco seria desastrosa para a economia mundial. Porém, o que se espera na realidade é uma solução demorada, complexa e dolorida, mas sem rupturas no continente europeu.

Esses dados vão corroborando nossa posição um pouco mais otimista do que a média para o mundo e, principalmente para o Brasil, da mesma forma que no início do ano passado a FecomercioSP tinha um prognóstico mais modesto do que os analistas em geral para o desempenho do PIB e do varejo. Esperamos acertar mais do que errar novamente e acreditamos que a notícia do emprego nos Estados Unidos é de fato um bom indício de que a maré realmente mudou.
Assessoria Técnica

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Poucas surpresas

Se alguém chegar em uma reunião e vaticinar que a China caminha para ser uma das maiores economias do mundo, provavelmente ninguém ficará surpreso. Talvez alguns presentes até lembrem que o país já é uma das maiores economias do globo, dado que seu PIB é inferior apenas ao dos Estados Unidos. Mesmo se alguém disser que, em meados do século 21 a China vai ultrapassar a economia americana, não haverá comoção. Essas hipóteses são muito prováveis, e, na realidade, nada mais dizem do que: países com renda per capita baixa tendem a crescer mais, dentro das atuais circunstâncias econômicas, do que países desenvolvidos.

Enquanto o mundo crescer e privilegiar preços de commodities e países ainda periféricos conseguirem competir por meio de baixos custos de mão de obra, a tendência de crescimento da periferia é maior que o centro. Essa visão é muito racional e tem grandes probabilidades de se cumprir pelos próximos anos. No entanto, dificilmente ao longo desse percurso as coisas se manterão exatamente como estão. Aliás, a própria caminhada nesse caso, é um fator que vai mudar o desenho das trilhas.
Por exemplo: quando o argumento leva em conta que o baixo custo da mão de obra nestes países se configura em uma vantagem comparativa que vai acelerar seu crescimento econômico, não podemos esquecer que o crescimento econômico ao longo do tempo vai necessariamente elevar o custo relativo da mão de obra e, portanto, reduzir essa vantagem comparativa. Exatamente por isso, as taxas de crescimento se desaceleram. Dessa maneira a Europa cresce menos do que o Brasil que, por sua vez, cresce menos do que a China ou a Índia. Claro, os modelos de políticas econômicas adotados podem acelerar ou retardar um pouco o crescimento, mas não vão se sobrepor nunca ao fundamental: o estágio econômico e social dos países comparados. Ou teríamos que acreditar que ninguém na Europa é competente para fazer o continente crescer como a China. Bastaria então que se importassem os modelos e economistas chineses para França, Alemanha ou Itália. Mas só funcionaria se também fossem importados trabalhadores chineses com remuneração inferior a US$ 50 por mês.

A Goldman Sachs, em 2003, por meio de um trabalho de Jim O’Neil, foi muito feliz em não só identificar e popularizar esse fenômeno de crescimento acelerado de países periféricos, como também por ter gerado o famoso acrônimo BRIC. Neste estudo se revelou que, em 2050, as quatro economias do BRIC (Brasil, Rússia, índia e China) estariam ao lado dos Estados Unidos entre as cinco maiores do mundo. Novamente, isso não deveria surpreender muito, pois essas economias, todas, têm em comum o fato de possuírem grandes populações, muitas riquezas naturais e cada uma, a seu modo, vantagens competitivas em áreas distintas como commodities no Brasil e Índia, mão de obra barata na China e também na Índia, tecnologia mais avançada como nos Estados Unidos e em menor escala na Rússia, fonte de energia exportável como a Rússia e o Brasil. Nenhum outro país do mundo reúne as condições como esses cinco. A grande sacada do estudo, além de popularizar o tema, que já era corriqueiro entre analistas, foi o de criar o termo BRIC para designar as economias que seriam os motores – como estão sendo – do crescimento do PIB e, mais ainda, do consumo mundial.

Mesmo que, tudo correndo exatamente como proposto nessas hipóteses, sendo a China a maior economia global em 2050, é necessário perguntar se dado a um indivíduo a chance de escolher se ele quer nascer na China, na Noruega ou nos Estados Unidos, acreditamos que a primeira alternativa será rapidamente descartada. Um país  com muitos milhões de habitantes tem que ter uma produção absoluta maior do que países de populações muito menores, e para chegarmos a essa conclusão não precisamos de grandes modelos matemáticos ou econométricos.

Assessoria Técnica

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Aumento do salário mínimo vai para o consumo

Segundo os cálculos de várias entidades, o acréscimo de R$ 77,00 para o Salário Mínimo (S.M.) - passará de R$ 545 para R$ 622 - vai injetar pouco menos de R$ 50 bilhões na economia. Na realidade a conta não é exatamente esta, pois se esses R$ 50 bilhões entram na forma de salário, eles por outro lado, saem na forma de folha de pagamentos, que acaba reduzindo o resultado das empresas, e do governo e de todos que pagam salários. Ou seja, uma parte dos R$ 50 bilhões é apenas transferência. De qualquer forma há um efeito distributivo respeitável que ocorra a partir de janeiro, o que, no final das contas amplia o consumo geral.

Se o total desses R$ 50 bilhões fosse para o consumo, sem os efeitos negativos para quem paga, isso representaria 4% do total faturado pelo varejo em 2011 no Brasil. O número não é nada desprezível, e, mesmo que apenas uma parte (50% ou 60% desse montante) seja efetivamente ganho líquido no circuito econômico, ainda assim falamos de mais de 2% do faturamento do varejo ou 0,5% do PIB. É importante lembrar que esse volume de dinheiro tem efeito distributivo quando sai do caixa das empresas e do governo, pois a propensão média a consumir de quem ganha Salário Mínimo é elevadíssima, acima da média e, portanto, vai circular, gerando mais emprego e movimentando a economia.
Em termos reais o crescimento de 14% do S.M. será um aumento real superior a 7%, dado que a inflação deste ano vai fechar em 6,5%. Tudo somado haverá um impulso bastante importante de consumo das famílias, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, regiões onde o salário mínimo é mais predominante. Esse mecanismo de ganhos continuados para os rendimentos mais baixos é bom, porém tem limites, pois se não os houvesse, só seria pobre o país que desejasse sê-lo. De outra forma: não se gera riqueza infinita por decreto, mas se pode melhorar a distribuição de renda com medidas razoáveis e paulatinas. Todavia o limite para o crescimento do Salário Mínimo pode estar se aproximando. Esse limite se dará quando o S.M. atingir o patamar dos pisos salariais das categorias mais numerosas do país como comerciários, ajudantes, etc. Neste momento, o aumento de S.M. vai provocar desemprego e/ou informalidade e não mais distribuição de renda.

Há necessidade de encontrar uma saída de longo prazo para estratégias distributivas como os salários básicos ou programas como o Bolsa Família. No caso, o programa social do governo padece do mesmo vício de origem: é muito bom para dar suporte social inicial e garantir a dignidade a quem está margeando a miséria, mas não pode ser estratégia de distribuição de renda de longo prazo. Tem que ser a porta de entrada, e não um destino final das famílias. No longo prazo, somente o crescimento econômico é capaz de reduzir a patamares aceitáveis os níveis de pobreza. Claro, o crescimento econômico deverá ser acompanhado de uma modificação tributária que torne o sistema mais progressivo e menos oneroso para a sociedade e principalmente os assalariados. Somente assim o Estado estará induzindo o crescimento e conduzindo a equidade no País ao longo de décadas e não num breve instante no tempo.
Assessoria Técnica

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Pressão dos importados sobre os produtos nacionais será ainda mais forte em 2012

O Conselho de Planejamento Estratégico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) se reuniu nesta segunda-feira (19) para um balanço econômico de 2011 e falar das expectativas para o próximo ano.

O presidente do Conselho, Paulo Rabello de Castro, que conduziu a reunião, abriu o debate fazendo uma comparação entre as projeções de crescimento de países desenvolvidos e o Brasil, que deverá crescer cerca de 3%.
Para os Estados Unidos, Japão e Reino Unido, o PIB não deverá chegar a 1%. Nos países da zona do euro, a situação será pior, ficando em torno de -1,2%. Entre os Brics, no entanto, a expectativa é de que o Brasil fique na última posição já que Rússia crescerá cerca de 3%, Índia, 6% e China 8%.
Rabello de Castro enfatiza que a lentidão brasileira se deve à menor dedicação quanto aos investimentos, mesmo em anos que antecedem a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. “Apesar da construção de estádios e da aceleração e retomada do crescimento nos últimos anos, observamos que nossos investimentos são menores, principalmente se formos comparados a países asiáticos”, diz Rabello.
A competitividade no mercado interno e os reflexos da crise dos países ricos sobre o Brasil, também foram analisados. Para o economista chefe do Bradesco, Otávio de Barros, a pressão dos importados será ainda maior em 2012, já que mercados como Europa e Estados Unidos enfrentam recessão enquanto o consumidor brasileiro está adquirindo bens de consumo como nunca. “O Brasil é o quarto maior consumidor de carros, mas é o sexto produtor. Isso se deve aos importados, que ganham mercado cada vez mais”, analisa.
Em relação à política econômica interna, a FecomercioSP acredita o governo adotará novamente o receituário usado ao final de 2008 para enfrentar a crise dos Estados Unidos naquele momento: redução de juros, manutenção do crédito através dos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Federal e BNDES), desoneração tributária pontual (redução do IPI na Linha Branca, por exemplo) e medidas para proteger a indústria nacional.
Para a entidade essa “prescrição” certamente poderia ser aprimorada com uma redução definitiva efetiva e generalizada do IPI para todos os setores. A entidade também vê com preocupação medidas “contrabandeadas” nos pacotes de manutenção do nível de atividade. Mais precisamente assustam as medidas que camuflam intenções protecionistas que vão prejudicar o consumidor e o desempenho de longo prazo do País sob o véu da defesa do emprego e do consumo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Existem sinais de desconcentração da atividade econômica

O PIB dos municípios de 2009 foi divulgado nesta semana. Com os dados disponíveis, fica mais fácil analisar com alguma exatidão o que ocorreu em cada cidade ao longo dos anos. Agora o País dispõe de uma série histórica de PIB de cada município de dez anos, o que permite essa avaliação mais apurada sobre desempenho de longo prazo.

Existia a expectativa de que a renda estivesse se deslocando para o interior do País, e, portanto, também para o  interior de São Paulo. A distribuição de renda ocorrida com a emergência de uma classe média mais robusta, já indicava que não só estava havendo deslocamento de consumo entre as camadas de renda distintas, mas também que esse processo seria mais intenso onde a renda média fosse menor. Ou seja, o deslocamento de consumo ocorreu entre as pessoas de classes de renda diferente, privilegiando o aumento do consumo nas Classes C e D, e também deslocou o foco desse crescimento dos grandes centros, um pouco mais para o interior. Evidentemente, essa era uma conclusão lógica, ainda que sem demonstrações contábeis. Era lógica, pois, se a concentração de pessoas nas Classes C e D de renda era maior fora dos grandes centros, a emergência destas classes somente poderia levar à emergência do interior.
O quadro abaixo mostra que, no Estado de São Paulo, a RMSP formada por 39 municípios ainda detém o maior volume de consumo em relação às outras regiões. Separamos o estado em três partes: Litoral, com 15 municípios, RMSP com seus 39 municípios e Interior com os restantes 591 municípios de um total de 645 no Estado.


O que se nota claramente é que houve forte crescimento do PIB do Estado em uma década, mas que tanto o litoral quanto o interior obtiveram taxas de crescimento um pouco maiores ao longo deste período. A RMSP ainda responde por mais de 50% do PIB do Estado (56,5%), mas chegou a representar muito mais no passado. Isso não quer dizer que a capital e os municípios do entorno pararam de crescer, quer apenas dizer que houve uma desconcentração deste crescimento. Para sermos mais precisos, o PIB nominal do Estado cresceu a uma taxa de 11% ao ano, enquanto a RMSPO cresceu 10,6%, o interior 11,4% e o litoral 12,6%.
Esses resultados mostram que o processo de desconcentração é longo e gradual, como era de se esperar. Na realidade as taxas de crescimento ainda são muito próximas, mas em 10 anos isso foi suficiente para deslocar um pouco o foco da capital. Com a tendência de que se mantenha o processo de distribuição de renda e com investimentos importantes a serem feitos no litoral paulista por conta do pré-sal é muito provável que, na próxima década, esse fenômeno continue a ocorrer.

Nossa tese de que o PIB estaria se deslocando era calcada apenas na distribuição de consumo e de renda que vêm ocorrendo há alguns anos. Ora, se o consumo se desloca, as estratégias da iniciativa privada acabam se adaptando a isso e a oferta de produtos e serviços vai lentamente se interiorizando também. Esse processo acaba por deslocar não somente o consumo, mas também o PIB, conforme estamos vendo. Provavelmente o mesmo deve ter ocorrido em todo o País, o que será estudado em breve.

Assessoria Técnica

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

As maiores economias do mundo em 2011 serão as maiores economias do mundo em 2020

Hoje, o PIB global ronda a casa dos US$ 60 trilhões, dos quais US$ 15 trilhões são produzidos nos Estados Unidos (a maior economia do mundo) e US$ 6,5 trilhões na China (a segunda maior economia do mundo). Além de Estados Unidos e China, antes do Brasil em termos de PIB, temos o Japão, a Alemanha, a França, a Inglaterra e a Itália. Provavelmente, em uma década a ordem será: Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e Brasil, e depois França, Inglaterra e Itália. De qualquer forma, o quadro mundial não vai mudar tanto assim. Vamos tomar as três maiores economias globais hoje (que serão ainda as três maiores economias em 2020) e o Brasil. A tabela abaixo é bastante ilustrativa.

Segundo as estimativas mais razoáveis, e também com números arredondados, essas quatro economias representam 49% do PIB global e em 2020 vão representar 51% de tudo que for produzido no planeta. Somando-se as oito maiores economias do mundo, a produção atinge hoje 66% do total global e tende a ser 68% desse total em uma década.  Não é uma mudança tão grande assim. Na realidade, a mudança efetivamente está ocorrendo na participação do produto entre as maiores economias, ou seja, Brasil e China completarão o grupo das cinco maiores economias do mundo em uma década. Quem está mudando efetivamente de posição e ganhando importância geral é a China, que está tirando uma pequena porção da importância de cada um dos  maiores países do mundo. Em menor escala e mais lentamente, o Brasil está também caminhando para ultrapassar outras economias como Itália, Inglaterra e França, mantendo ainda uma distância significativa das outras grandes potências econômicas globais.
No caso chinês, o aumento da participação no PIB global se deve a uma estratégia de desenvolvimento voltado para fora, com aumento brutal da entrada de reservas, utilização maciça de mão de obra barata e baseado na produção de bens de consumo em escala colossal para abastecer quase que todos os mercados consumidores relevantes. No caso do Brasil, para nossa sorte, o modelo de nosso crescimento está hoje um passo à frente, baseado em um mercado interno muito poderoso. A classe média forte e ascendente pode garantir ao Brasil mais de uma ou duas décadas de crescimento sustentado, superior à média global e dos países desenvolvidos. A China será a segunda economia do mundo, com sua participação no PIB global saltando de 11% para 15%.

O Brasil vai passar de 3,7% para 4,1%. Aparentemente o sucesso chinês é maior, mas o quadro muda muito quando comparamos as rendas per capitas em questão. Ao final de mais 10 anos a China terá atingido uma renda per capita de US$ 5 mil e o Brasil estará atingindo US$ 16,5 mil, mais de três vezes maior do que nosso principal concorrente pelo espaço global hoje. Nosso modelo só é mais lento porque partimos de uma base econômica e social mais desenvolvida.

Assessoria Técnica

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

PIB cresce em linha com as projeções da FecomercioSP

Os mercados começaram o ano projetando um crescimento do PIB de quase 5%. Naquele momento a FecomercioSP previa 3,5%. Quando, ao final do primeiro semestre ficou evidente que a economia estava desacelerando, as projeções foram ajustadas para baixo.

O mercado aceitava 4% e a FecomercioSP também fez um pequeno ajuste de 3,5% para 3%, projeção que perdura até o momento. O diferencial de projeções se baseava apenas na crença que os técnicos da entidade tinham nos efeitos das políticas macroprudenciais (ajustes recessivos, para usar um termo que não seja eufemismo). Também compunham nosso cenário os chamados efeitos estatísticos de base, ou seja, o crescimento no segundo semestre era para ser menor mesmo, dado que o PIB havia atingido um patamar muito elevado e mostrava desaceleração do ritmo de crescimento já no final do ano passado. Base forte no final de 2010, desaceleração na margem e medidas de aperto monetário e de crédito sugeriam crescimento bem mais modesto do que em 2010, nas nossas contas, 3%.
Na realidade o ritmo de crescimento no terceiro trimestre de 2011 foi de 2,1% em relação ao mesmo período de 2010.  Com isso, o PIB cresceu 3,7% em 12 meses e 3,2% nos nove primeiros meses de 2011 comparados com os nove primeiros meses de 2010. Isso confirma que a desaceleração é um fato e só pode ser efeito das medidas que em 2010 foram utilizadas em meio ao medo de um superaquecimento e de inflação. Bom, as medidas funcionaram e o que acabou complicando a situação foi o fato de que as economias desenvolvidas surpreenderam o mundo de forma negativa, principalmente a Europa, que está envolvida em uma crise de dívidas soberanas sem precedentes, e isso reduziu o ritmo da economia global. Como o Brasil hoje tem um grau de abertura ainda pequeno e seu mercado interno é relevante para a produção nacional, os efeitos domésticos foram menores, mas estão presentes. Tanto que o governo adotou uma postura exatamente oposta neste final de ano àquela que havia adotado no final de 2010.

Nossa expectativa é de que as medidas de estímulo adotadas nestes últimos dias venham a fazer efeito em 2012. Exatamente no sentido oposto do que prevíamos para 2011, o ano que vem deve começar crescendo a um ritmo de 1,5% a 2% no máximo, mas vai acelerar fechando o ano com crescimento próximo de 3%, mas rodando no final do ano a um ritmo de 4,5% ou um pouco mais. Aproveitando o ensejo, nossas projeções para 2012 são de um crescimento de 3% também (pode ser um pouco maior), mas não está em nossas contas, por exemplo, uma surpresa positiva com relação às economias globais, o que elevaria a taxa de crescimento. Nosso cenário é basicamente composto na manutenção do mercado interno bastante ativo, como função das políticas de estímulo ao crédito e ao consumo. Também se baseia nas dificuldades que ainda vão persistir no cenário externo, principalmente na Europa. Estados Unidos vão mostrar sinais mais claros de recuperação, mas não a ponto de reverter o quadro global já em 2012. Será um ano de fraco crescimento no mundo todo, com alguns países se saindo melhor, como será o caso do Brasil e da China. Essa nossa posição de crescimento modesto, porém maior do que a média global, é muito importante para manter nossa taxa de desemprego baixa e a atratividade de investimentos que ainda vão render muitos frutos por talvez mais de uma década.

Assessoria Técnica

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Efeitos do 13º salário na economia brasileira

Com a chegada do fim de ano, o comércio varejista já se prepara para o Natal, a melhor data para o comércio. Dezembro apresenta, em termos de faturamento, um crescimento sazonal de 30% sobre novembro. O 13º salário vem aquecer as vendas e estimular esse crescimento. Por isso, as lojas já estão se preparando atender as necessidades do consumidor que quer levar o melhor produto pra casa. Para o consumidor o recebimento do salário extra, poderá ser utilizado tanto para quitar dívidas, contraídas anteriormente, quanto para realizar novas compras para as festas de final de ano. 
 
Para o ano de 2011 estima-se que até dezembro o pagamento do 13º salário deverá injetar cerca de R$ 118 bilhões na economia brasileira, o que representa 2,9% do PIB – Produto Interno Bruto. Considerando-se os trabalhadores do mercado formal, empregados domésticos, aposentados e beneficiários, cerca de R$ 78 milhões de brasileiros receberão o 13º salário.
Nesse ano, o valor médio pago a título de 13º salário deverá ser 16% maior do que foi pago em 2010 e o número de pessoas que receberão aponta crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior.

O valor médio dos salários pagos, considerando todos os setores da economia, deverá ficar em torno de R$ 1.783,47. O maior valor médio pago será em Brasília, estimado em R$ 3.193,00 e o menor no Maranhão que deverá ficar em R$ 974,00.

No final de novembro os consumidores receberam a primeira parcela do 13º salário. Em geral quanto à forma de utilização das parcelas do 13º salário, pode-se observar que quando se trata das famílias de renda mais baixa, tal recurso será destinado, quase na sua totalidade, para o pagamento de dívidas. Os consumidores da Classe C que representam 50% do mercado consumidor e que necessitam claramente do 13º para saldar dívidas.

Já quando se trata de famílias de renda mais elevada, embora também destinem parte para o pagamento de dívidas, gastam ainda em compras, serviços e viagens. Costumam também gastar em diferentes alternativas, já que consomem produtos diferenciados e de maior valor, que vão desde a reforma da casa até a compra de móveis e de novidades da época.

Assessoria Técnica

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os investimentos estrangeiros borbulham em nossas praias

Não faz muito tempo o blog abordou a facilidade com que o Brasil ainda financiava seus déficits mensais em Contas Correntes. Neste ano, o déficit deve atingir US$ 50 bilhões, talvez US$ 55 bilhões, ou algo entre 2% e 2,2% do PIB. Caminha para que em 2012 esse déficit atinja pouco mais de 3% do PIB, o que, em um passado não tão distante, seria acompanhado de sinais de estresse internacional com relação à nossa capacidade de honrar os pagamentos de dívidas.

Quando o País mantinha uma taxa de câmbio fixa e ainda lidava com muitas dificuldades para controlar os gastos públicos (meados da década de 1990), o limite que o Brasil tinha lá fora, ou seja, possibilidade de financiamento externo era bem pequeno. Para completar, de lá para cá houve um bônus internacional para nosso País: os preços das commodities dispararam, e com eles, saltaram os volumes disponíveis em nossas reservas internacionais. Hoje, o Brasil tem câmbio flutuante, contas públicas bastante controláveis - ainda há muito que melhorar em termos de eficiência e corte de gastos, mas relativamente a outros países o Brasil tem hoje uma das melhores condições fiscais do mundo – e, além de ser um grande exportador de commodities, se destaca ao lado de outras poucas economias como mercado potencial e com tendências de crescimento econômico acima da média global.  Ou seja, além da casa em ordem, o mundo paga caro pelos nossos produtos e os poupadores globais (hedge funds) não têm muitas opções de investimentos seguros e rentáveis.
Tudo isso culmina na facilidade que estamos encontrando em financiar um déficit razoável em contas correntes, que em outros momentos poderia estar pressionando fortemente ou a taxa de câmbio ou a taxa de juros. Como se sabe, nenhuma dessas coisas está acontecendo. Para deixar o cenário ainda mais positivo no que tange a liquidez, e principalmente a solvência do País, em outubro o déficit em contas correntes foi de US$ 3,1 bilhões, ou US$ 400 milhões abaixo do estimado e esperado pelo mercado. As principais surpresas positivas foram:

1.         Remessas de lucros de US$ 1,5 bilhões, enquanto se estimava que a rubrica facilmente ultrapassaria os US$ 2 bilhões;
2.         O Investimento Estrangeiro Direto (IED) atingiu US$ 5,6 bilhões, quando se esperavam apenas US$ 4,2 bilhões;
3.         O IED soma em 12 meses US$ 75 bilhões.

As recentes medidas para reduzir o gasto com viagens, como o aumento do IOF e a pressão para que o câmbio se desvalorizasse, ainda não surtiram os efeitos desejados, e suspeitamos que não irão mesmo reduzir o ímpeto turístico internacional enquanto o mercado de trabalho e de crédito no Brasil estiverem aquecidos como estão. Salvo se houver uma desvalorização cambial muito grande, mas descartamos essa hipótese, pois isso faria com que o País passasse por um segundo ano consecutivo de inflação em alta e o Banco Central não iria tolerar esse fenômeno sem usar as reservas para conter uma exagerada queda do valor do Real.
As remessas de lucros em queda e aumento no Investimento Estrangeiros Diretos, são, de certa forma, a mesma coisa, pois quem deixa de remeter lucro para as matrizes, está usando esses recursos internamente como investimentos. Essa é a melhor notícia de todo esse boletim, pois isso significa que, por qualquer que seja o motivo, alguns inclusive já explicados aqui, o País tende a manter um ritmo de crescimento elevado no próximo ano e mesmo no longo prazo. Quem investe traz aumento do consumo interno ao longo do tempo na maturação de seus resultados e mais demanda imediata, pois o dinheiro gasto na expansão da capacidade produtiva entra no circuito da economia bem antes da maturação em si dos projetos. Outra conclusão é de que, quem investe hoje, espera colher frutos por muitos anos, o que mostra a boa aposta que os estrangeiros estão fazendo com relação ao Brasil. Cabe a nós melhorar o ambiente de negócios e mostrar que os investidores estrangeiros fizeram a aposta correta em nos escolher.

Assessoria Técnica

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O ritmo de crescimento vai convergindo para os 3% projetados pela FecomercioSP

O Banco Central divulgou nesta semana o IBC-BR de setembro, um indicador antecedente do desempenho do PIB.  O IBC-BR tem uma correlação muito forte com os resultados que o IBGE divulga, com a vantagem de sair com certa rapidez. O índice de setembro cresceu 1,2% em comparação ao ano passado, acumulando nos nove primeiros meses de 2011, em relação a igual período de 2010, expansão de 3,15%. As projeções da FecomercioSP dão conta de um crescimento muito próximo de 3% para o PIB neste ano, e parecem que vão se confirmando.

O ano começou com o ritmo de crescimento entre 4% e 5% e mostrou desaceleração ao longo dos meses. Nossas projeções, no quadro abaixo, mostram que a tendência é de que haja uma pequena recuperação após a desaceleração do último trimestre, por conta do Natal que deverá ser relativamente aquecido. Ainda assim, 2011 será um período de crescimento fraco, em grande parte restrito pelo desempenho da indústria, já que o consumo das famílias deve crescer quase 5% e o varejo pode acompanhar esse ritmo em São Paulo e crescer até um pouco mais no País.

Certamente, com base em projeções semelhantes, que mostram claramente o rápido desaquecimento, o Banco Central decidiu agir de forma a reacender a economia, ainda que os dados da inflação neste momento estivessem um pouco acima do desejado. O Banco Central, muitas vezes criticado, acertou em 2008 quando afrouxou a política monetária e contribuiu para que o ano de 2009 não tivesse um desfecho muito ruim, mantendo o consumo interno ativo. O caso parece ser o mesmo, o BC está reduzindo a Selic e mantendo condições para que haja expansão do volume de crédito, ação esta que, provavelmente, estaremos aplaudindo no final do ano que vem. Mesmo considerando que a crise da Europa tenha um desfecho razoável, o crescimento global de 2012 já está bastante comprometido, pois além dessa crise na Europa, Japão e Estados Unidos ainda vão manter passo fraco em sua caminhada para a recuperação.
Assessoria Técnica

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Várias faces da Economia

Tantas coisas aconteceram em um curto espaço de tempo que não dá para falar de um assunto apenas. A Grécia e a sua dívida; o crescimento norte-americano; a geração de empregos no Brasil; tudo ao mesmo tempo, assusta, mas é assim mesmo, temos que viver ligados no 220 volts. Foram esses eventos, em nossa visão positivos, que fizeram o mercado reagir quase em êxtase nesta semana. Mas cuidado, pois haverá uma rodada de realização, ainda que não se deva encerrar o período de otimismo em breve.
Grécia negocia pacote de resgate

Os credores teriam que aceitar um deságio nos papéis da dívida grega, e ao mesmo tempo, pelo lado grego, haveria que se sinalizar um ajuste de contas públicas, que será doloroso. Todos perdem com o acordo, mas em relação ao que aconteceria sem esse negócio firmado entre as partes os danos são mínimos. Se nós, aqui da FecomercioSP, tivéssemos papéis da dívida grega, venderíamos rapidamente com 50% de desconto. Melhor um pássaro na mão, apesar do deságio, pois a dívida interna grega é enorme.
Do lado dos credores, houve necessidade da ampliação da linha de crédito emergencial do IIF (Instituto Internacional de Finanças) de € 440 bilhões para € 1 trilhão. A rigor, essa chamada de capital é apenas a primeira de algumas outras que virão.

Do lado grego, não será fácil contornar os distúrbios políticos. Certamente haverá mais greves, e, quase certo, que esse atual gabinete não se reelege. São os custos de uma festa com muita bebida: a ressaca. Com todo esse desconto e dívida grega ainda é superior a 100% do seu PIB.
PIB do terceiro trimestre dos Estados Unidos cresce 2,5% anualizado

Os Estados Unidos cresceram 2,5% no último trimestre terminado em setembro. Os analistas esperavam 2,7%, e estão de certa forma decepcionados. Na realidade, o que há é um excesso de preciosismo nas análises. O crescimento de 2,5% já é suficiente para estancar o desemprego e até para melhorar o risco de inadimplência no país. É também o melhor resultado desde 2009. Outro aspecto importante é que o crescimento ficou aquém do potencial pela variação de estoques, o que não deve ocorrer novamente. Sem o excesso de estoques que havia após um primeiro semestre muito fraco, a tendência da indústria é se aquecer e o prognóstico do potencial para o final de ano é bastante bom. Aqui, já vínhamos apontando para os indicadores que revelavam uma recuperação americana, principalmente as contas externas e a movimentação interna de cargas que estava e está crescendo a mais de 7% em relação ao ano passado.
Desemprego no Brasil se mantém estável

Cada analista lê de um jeito essa notícia. Para alguns é sinal de desaquecimento econômico, para outros de estabilidade em patamar aquecido de demanda por trabalhadores, o que indica a manutenção do forte consumo. Para alguns é um problema, pois estamos atingindo o limite da nossa capacidade de oferta de mão de obra qualificada Ou seja, o desemprego de 6% é considerado o menor possível dado a fraca capacitação de quem está ainda fora do mercado de trabalho. A FecomercioSP tende a concordar com essa hipótese, e alerta para o fato de que há vagas a serem preenchidas, e apesar do contingente de 6% de desempregados, não há qualificação para preencher essas vagas. O nível de desemprego já está baixo, mas para ficar menor ainda, teremos que pensar em maneiras fáceis, rápidas e baratas de treinamento e capacitação, ou vamos restringir o crescimento por pura falta de trabalhadores, quando não falta trabalho.
Assessoria Técnica

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Contas externas mostram vigor do País

O saldo em conta corrente apresentou déficit de US$ 2,2 bilhões em setembro, conforme divulgado pelo Banco Central. O resultado negativo verificado no mês anterior havia sido de US$ 4,8 bilhões. Em setembro, o período fechado de 12 meses totalizou déficit de US$ 48 bilhões, que representa cerca de 2% do PIB, em linha com as projeções da FecomercioSP. Para 2011, esperamos um déficit de US$ 55 bilhões, ou 2,2% do PIB, ainda bastante palatável, porém caminhando para uma situação menos benéfica no futuro que se aproxima. O bom momento do Brasil e o mau momento das grandes economias, facilita o financiamento de déficits em contas correntes, e talvez o País possa se valer disso para elevar a proporção de investimentos internos, captando poupança externa. Na realidade, o importante é a utilização dos recursos externo (usos e fontes de capitais) e não somente o volume absoluto ou proporcional desse déficit. Se usado para aumentar o investimento, será muito bom. Se usado para garantir o consumo de bens finais, não será tão bom assim.

Os capitais financeiros e de investimentos continuam a ser superavitários, e em setembro houve entrada de investimentos estrangeiros diretos (IED) de US$ 6,3 bilhões, bem maiores do que se viu em agosto: US$ 5,3 bilhões recebidos em agosto. O Investimento estrangeiro Direto (IED em português e FDI em inglês) soma US$ 76,3 bilhões em 12 meses. Dentre as outras grandes contas das transações correntes, o que caiu em setembro, de forma contundente, foram as remessas de lucros e dividendos, que passaram de um saldo negativo de US$ 5,1 bilhões em agosto para saída de US$ 2,0 bilhões. O saldo de serviços se manteve no mesmo patamar recente, com déficit de US$ 3,1 bilhões em setembro.  O saldo comercial passou de superávit de US$ 3,9 bilhões para US$ 3,1 bilhões em setembro, superior ao registrado no mesmo período do ano passado (US$ 1,1 bilhão).
A expectativa é de que, ao menos no curto e médio prazo (ao longo de 2012) o quadro se mantenha praticamente inalterado. O crescimento do mundo ainda estará centrado nos países emergentes e como as economias ricas vão se manter em compasso de espera, a tendência é de que a liquidez global continue privilegiando investimentos, diretos e financeiros, em economias como a brasileira. No ano que vem a tendência diferente está por conta do desempenho norte-americano, que pode ser um pouco melhor do que o que se previa e certamente melhor do que em 2011. Mesmo assim, as expectativas são de um crescimento de 2,5% a 3% para a maior economia do mundo, o que não deve alterar drasticamente esse cenário.

Observação: os investimentos externos favoráveis facilitam o financiamento do nosso déficit em contas correntes que deve ser um pouco maior do que 2,1% neste ano, mas que, por outro lado ainda é menor do que os mais de 3% do PIB que causaram forte danos ao país em meados da década de 1990. Também é verdade que com o mundo se movendo da forma atual, o país pode suportar déficits maiores por um período relativamente longo (não são déficits infinitos eternamente...). O país deveria aproveitar o bom momento externo, para fazer os ajustes internos que há muito são objetos de desejo de nossa sociedade e que, certamente alavancariam nosso crescimento para um patamar de 5% a 6% ao ano, muito melhor do que nossa média atual.
Assessoria Técnica

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Mercado revê previsões e fica mais pessimista

O Boletim Focus do Banco Central levanta periodicamente projeções dos analistas de mercado, principalmente do setor financeiro, sobre diversas variáveis importantes. São projeções sobre PIB, inflação, taxa de câmbio, juros, balança comercial etc. Na última edição do boletim, nesta semana, a média das expectativas do PIB caiu e para inflação aconteceu o inverso. A evolução das projeções de PIB e IPCA ficou conforme segue:

Mais importante do que notar que há uma deterioração nestas projeções é verificar que o Brasil retoma dois maus hábitos: o de crescer pouco e o de deixar a inflação um pouco solta. Se as projeções estiverem corretas – e para a Fecomercio o crescimento de 2011 será ainda menor do que 3,42% - o Brasil vai crescer muito menos do que seus pares dos BRICs ou do que outros países emergentes. Muitos de nossos pares econômicos estarão crescendo entre 8% e 10% neste ano e provavelmente algo semelhante ainda em 2012, a despeito da crise nos países desenvolvidos. De outro lado a inflação prevista em média para esses países é menor do que a brasileira. Ou seja, há algo que pode ser feito para acelerar o crescimento, e que não seja deixar a inflação corrente crescer.
É chato insistir, mas o Brasil deve promover uma ampla reforma fiscal e de eficiência do setor público, ainda que seja gradativamente. Essa reforma não só deve liberar o setor privado para investir mais através do corte de impostos, como ao aumentar o superávit e a eficiência do governo, cria condições de fato para que o setor público complemente investimentos nos mais diversos setores de infraestrutura, hoje muito aquém do que o país precisa. Também será possível reduzir custos e retirar pressão inflacionária de nossa economia com essa redução de carga tributária e do custo Brasil que deriva da modernização da infraestrutura e dos ganhos de produtividade públicos e privados. Teríamos, ao mesmo tempo, um ganho de eficiência e de competitividade, e um aumento do ritmo de crescimento com menor pressão sobre os preços. Parece um sonho, mas outros países estão vivendo esse momento, e nós não!

Assessoria Técnica