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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Agrícola em foco. 2ª quinzena de janeiro de 2012

Os preços de alguns alimentos mantiveram-se pressionados na segunda quinzena de janeiro deste ano. Como adiantado por este boletim, as condições climáticas foram decisivas para o bom desempenho das safras e a tendência de pressão nos preços arrefece aos poucos. Outro fator contundente neste processo de realinhamento de preços é que as safras que foram danificadas carecem de um tempo para se recompor, mesmo havendo normalização dos volumes de chuvas nas regiões que sofriam com a estiagem ou com o excesso de águas pluviais.

De acordo com a Pesquisa Trimestral do Leite, produzida pelo IBGE, as Regiões Sudeste e Sul concentravam 77% de todo leite industrializado no Brasil até setembro de 2011. Isto posto, fica bastante clara a razão das altas no preço do produto e de seus derivados no final do ano passado. A boa notícia é que, paulatinamente, a situação volta às condições normais e, com isso, os preços confirmam uma trajetória de recomposição de margens. De acordo com o IPCA de janeiro, também calculado pelo IBGE, o item Leite e Derivados registrou discreto recuo de 0,02%. Em 2011, o grupo atingiu incremento acumulado de 8,06%.
O que se nota no mercado do leite e de seus derivados, também pode ser estendido ao desenvolvimento de algumas frutas, como mamão, por exemplo. Apesar de ter acumulado 21,11% em 2011, por conta da perda de produto ocasionada pelo volume excessivo de chuvas, os preços em janeiro já recuaram 1,36%.

Por outro lado, a situação do tomate ainda não foi devidamente resolvida. Nas regiões produtoras houve queda no volume produzido em decorrência do surgimento de pragas e os preços ainda têm subido. Em janeiro, os tomates ficaram em média 8,09% mais caros. Em 2011, o produto acumulou alta de 39,42%. Alguns legumes ainda devem sentir os impactos das condições climáticas adversas por um período maior de tempo, como, por exemplo, os feijões, os tubérculos, as verduras e os cereais.
É importante lembrar que com a proximidade da entressafra da cana-de-açúcar os preços dos combustíveis podem se elevar. De qualquer forma, o setor foi bastante cuidadoso ao preparar um estoque justamente para suprir o abastecimento neste período que se aproxima, na tentativa de minimizar impactos nos preços finais oriundos de uma oferta escassa.

Enfim, 2012 inicia o ano ainda com alimentos ainda pressionados, mas com sinais claros de que o pior já passou. Algumas lavouras puderam reverter a situação com a normalidade do clima e o recuo de preços já chega ao bolso do consumidor.

Assessoria Técnica

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

São Paulo ainda é o motor de nossa economia

O PIB mundial ronda a casa dos US$ 50 trilhões, o que faz com que os Estados Unidos sejam responsáveis por cerca de 30% de todas as riquezas geradas no planeta. O PIB brasileiro está atingindo a casa dos US$ 2,3 trilhões e, deste total, o Estado de São Paulo representa 1/3. De forma geral, podemos dizer que o Estado de São Paulo representa para o Brasil o que os Estados Unidos representam para o mundo. Isso traz uma série de consequências bastante importantes:

1.    A inércia de São Paulo, crescendo ou estagnado, é de fato o que conduz o País;
2.    Quando São Paulo cresce, é mais fácil de irradiar esse efeito para o Brasil, mas quando São Paulo está estagnado, há poucas probabilidades de algum outro Estado isoladamente suprir essa falta de crescimento;

3.    O setor de serviços de São Paulo é extremamente relevante para toda a economia brasileira;

4.    As políticas de estímulo ao desenvolvimento deveriam, então, partir de São Paulo para o País e ter como foco o setor de serviços.
 

O quadro abaixo mostra como está dividido o PIB da capital e do Estado de São Paulo e dos Estados Unidos. Até mesmo a participação de cada setor na economia guarda muita semelhança entre São Paulo e EUA.


Esses dados mostram que a riqueza está sendo gerada em todos os setores, e não há porque mais se falar apenas em política industrial de fomento aos tradicionais “campeões” da década de 1970. Se o BNDES quiser modernizar o País e alavancar emprego, renda e distribuição de bem-estar terá que, antes, modernizar a si mesmo. As políticas públicas de desenvolvimento e os focos de financiamento terão, necessariamente, que passar pelo setor de serviços e também devem olhar com maior atenção para o Estado que mais gera renda, emprego e PIB em qualquer setor da economia.

Assessoria Técnica

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Agrícola em foco

Como era de se esperar, tudo indica que os preços dos alimentos não recuarão no curto prazo para algumas safras. Isso porque as perdas ocasionadas por condições climáticas pouco favoráveis fizeram com que os preços do milho, por exemplo, sinalizassem alta no mercado interno. Com a escassez de chuvas na Argentina, a colheita por lá também deve sofrer retração. Por outro lado, a ocorrência de chuvas em janeiro nas lavouras do sul do país, contribuiu para o desenvolvimento dos grãos que estavam sofrendo com a estiagem e ainda favoreceu o controle de pragas - que vinham se proliferando de forma acelerada e encarecendo os custos para o produtor combatê-las.

Todavia, as estimativas da Oil World para a produção de soja na América do Sul não são muito animadoras, por conta da estiagem - que não é um problema exclusivo da região Sul do Brasil. Se não houver chuvas em volumes apropriados em janeiro e fevereiro, o que poderia amenizar o quadro, as perdas definitivas podem se ampliar de forma significativa. A questão é que produtos como milho e soja fazem parte da cadeia produtiva de outros itens, como a carne, o leite e seus derivados, já que são utilizados com ração animal.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA / ESALQ / USP) revelou que em 2011 os produtores de leite conseguiram escoar sua produção com preços acima dos vistos em 2010. Contudo, isto não implicou em maiores lucros já que os custos da ração animal (milho e farelo de soja) aumentaram de maneira significativa. No varejo os preços dos leites e de seus derivados seguem, naturalmente, a mesma tendência. Em 2012, nas regiões em que houve chuva, os preços recuaram levemente, pois as pastagens foram recompostas, entretanto, nas regiões em que a seca foi mais severa, os custos continuam elevados e a captação do leite segue em queda frente a 2011.

E o Brasil volta a exportar carne suína e carne de aves para a Rússia, já que alguns exames exigidos pelas autoridades sanitárias daquele país aprovaram o produto brasileiro, finalmente. Basta saber se a produção interna continuará sendo competitiva e se haverá demanda para atender este novo mercado. Enfim, é bom lembrar que as chuvas de janeiro não causam somente problemas, mas também beneficiam algumas safras, como a de café. O período da chuva foi favorável ao desenvolvimento dos pés e as lavouras evoluem de forma satisfatória, sem sinais de perda ou pragas até o momento. Ou seja, de modo geral as pressões de preços sobre alimentos ainda vão nos incomodar no primeiro trimestre do ano, apesar de que os prognósticos para o período posterior estão melhorando gradativamente.

Assessoria Técnica

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Agrícola em foco. 2ª quinzena de dezembro

Ao que tudo indica, os preços dos alimentos deverão seguir em patamares pressionados no início de 2012. Isso porque, as condições climáticas nas principais regiões produtoras (Sul e Sudeste) têm causado problemas para o desenvolvimento de algumas safras, embora alguns produtos já tenham saído do período de entressafra, como proteínas de origem animal, que não apresentaram reflexo nos preços até o final do ano passado. Na segunda quinzena de dezembro o cenário para os preços no setor agrícola foi delineado da seguinte forma:

Soja e Milho – preços já sinalizam alta por conta do clima seco e das altas temperaturas nos países produtores da América do Sul (Brasil e Argentina) provocadas pelo fenômeno La Niña. Algumas importantes regiões produtoras brasileiras já calculam os prejuízos causados pela estiagem em 2012. Havendo queda nos volumes produzidos, os estoques mundiais ficam abalados e tendem a impulsionar os preços para cima. É importante lembrar que a soja é comumente utilizada como ração animal e qualquer variação no preço desta commoditie impacta em maiores custos produtivos das proteínas animais.
Café - a produção mundial de café pode sofrer retração de 3,34% conforme estimativas da Organização Internacional de Café (OIC). Isso porque o clima não tem colaborado para o pleno desenvolvimento das safras e as ocorrências de algumas pragas corroboram ainda mais para um cenário de oferta menor. A preocupação fica por conta do comportamento dos preços frente à demanda ainda aquecida de países como Ucrânia, Rússia, Índia, México e Coréia do Sul. Ao que tudo indica, o café deve seguir com preços elevados e firmes.

Bovinos – o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que houve queda de 2,9% no abate total de animais (bois, vacas, novilhos, novilhas e vitelos) no período de janeiro a setembro. A preocupação fica com o aumento no abate de fêmea, que pode comprometer a produção futuramente.
Aves – os preços seguiram em patamares levemente altos em dezembro, fruto da aquecida demanda internacional por esta proteína em 2011. Para 2012 os embarques podem seguir aquecidos, pois há novos mercados a serem abertos, como Malásia, Paquistão e Camboja. Há expectativa de aumento da demanda chinesa pelas carnes de aves brasileiras.

Suínos – os preços também se mantiveram elevados no último trimestre do ano, mesmo com o embargo russo à carne brasileira – de acordo com estatística do setor, a Rússia absorvia 50% das exportações. Ainda assim, há expectativa de abertura para novos mercados e intensificação dos negócios com a China. De qualquer forma, é bom ressaltar que 70% do preço da carne é oriundo de ração animal (basicamente milho e soja), ou seja, havendo pressão no preço destas commodities, podemos enfrentar um 2012 de preços altos nas proteínas de forma generalizada.
Embora o medidor oficial da inflação na economia brasileira tenha ficado no limite superior da meta estipulada, os próximos meses, aparentemente, deverão registrar preços de alimentos ligeiramente pressionados. As atenções ficam voltadas à normalidade de chuvas na região Sul, que amarga uma estiagem desde meados de novembro do ano passado, e na região Sudeste, em que o excesso de chuvas prejudica o escoamento pelos estragos nas rodovias.

O lado positivo dessa história é a percepção de que os preços de commodities, tão importantes na composição do produto e das exportações nacionais, devem se manter em patamares elevados. Às vezes uma notícia ruim para o consumidor é uma boa notícia para o setor e/ou para a economia no médio prazo.

Assessoria Técnica

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Agropecuária em foco

O Índice de Preços no Varejo (IPV), calculado mensalmente pela FecomercioSP, revelou ao longo de 2011 - repetindo o comportamento notado em 2010 - a influência dos preços agrícolas e da evolução das safras para a formação de preços no varejo. Por terem uma participação elevada na composição do índice geral, as flutuações nos preços destes bens tendem a impulsionar de forma mais pronunciada o resultado final do indicador. Por conta disto, quinzenalmente, o blog passará a acompanhar mais próximo o desempenho da agricultura brasileira e mundial para tentar antecipar impactos altistas ou baixistas nos preços das commodities e dos produtos in natura.

Embora haja uma sensação de cautela por conta da crise na Europa, a China já sinalizou que não deve reduzir sua demanda por grãos como soja, trigo e milho. Com os anúncios, os preços na Bolsa de Chicago voltaram a se elevar. No mercado interno, entretanto, a alta de preços ainda não foi sentida. Para o setor agropecuário, as notícias são animadoras:
Carne: com a chegada da primavera, há maior ocorrência de chuvas e elevação das temperaturas e, com isso, as pastagens se desenvolvem bem nas regiões produtoras. A recuperação das pastagens aumenta a disponibilidade de alimentação para os produtores e deve repercutir como incremento na oferta de animais para corte, revertendo o cenário de confinamento, oferta restrita e preços pressionados. Outro fato importante a ser destacado sobre o mercado das proteínas animais é a suspensão temporária que o Serviço Federal de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária da Rússia fez para um importante exportador brasileiro em virtude da presença da bactéria Escherichia coli. Atualmente existem 84 locais brasileiros que estão autorizados a exportar para o país.

Grãos: o plantio das primeiras safras de feijão para o próximo ano registrou queda que, de acordo com especialistas, somente será restabelecida em um ano. A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) estima que a produção deva recuar 9%, já que área plantada foi reduzida por conta de culturas mais valorizadas como a soja, por exemplo. Embora o estoque nacional de feijão em dezembro seja inferior em 60 mil toneladas ao de dezembro de 2010, os preços no mercado não deverão se elevar de forma significativa, pois ainda há estoque para atender cerca de 2 meses de consumo.

Na Argentina, um dos principais polos exportadores de milho, a situação climática garante uma evolução positiva da safra. A estimativa da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indica que a próxima safra deve bater recorde e garantirá um fôlego maior nos estoques mundiais e, consequentemente, dará alívio nos preços. Até aí, tudo parece boa notícia... Entretanto, não se pode esquecer que a produção nacional tende a encarecer por conta dos custos de transporte - o que compromete a competitividade da mercadoria nacional - prejudicando os produtores.

Frutas: com recorde de produção em 2011, os produtores de frutas cítricas estão enfrentando uma situação pouco favorável em termos de preços, graças ao encurtamento da procura dos Estados Unidos por suco de laranja e a estabilidade da demanda na Europa. Com isso, os embarques foram reduzidos e há excesso de oferta no mercado interno. Especialistas afirmam que os preços estão 50% abaixo dos praticados em 2010.

Canaviais: o blog reforça a preocupação com o término da moagem da cana de açúcar, previsto para novembro, em várias regiões produtoras. O excesso de chuvas prejudicou a produtividade da matéria prima, pois reduziu a concentração de açúcares na planta. Do volume produzido, cerca de 51% foi destinado à produção de etanol - 38% para o etanol anidro e 61% para o etanol hidratado. Com a estagnação no preço do açúcar nos mercados externos a produção passa a ser direcionada a mercados mais valorizados.

Em resumo, os próximos meses devem ser, em média, de alívio nos preços que chegam do setor agropecuário, segmento extremamente importante na composição dos índices de preços no Brasil, inclusive o IPCA - índice oficial monitorado pelo sistema de metas inflacionárias.


Assessoria Técnica

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Safra brasileira em 2011 será recorde

Os dados do IBGE para a safra brasileira têm sido ajustados para cima ao longo do ano. Isso significa que, em primeiro lugar, em média não há um problema climático maior do que em 2010. Os dados dão conta de um avanço de 7% na produção de alimentos em 2011 relativamente a 2010, com aumento médio de 4% na área plantada, ou seja, 2% a 3% de ganho de produtividade por hectare. O grande problema, neste ano, está na safra de Cana-de-açúcar que terá uma produção 7% menor do que em 2010, com queda de 6% na área plantada. Ou seja, a produção do importante energético do País caiu em área, volume e produtividade neste ano. Esse é o único fator que realmente preocupa como fonte de pressão de preços em 2011/2012.
A área plantada cresceu 4% sendo que apenas quatro culturas tiveram perda de área. Essas mesmas quatro lavouras, somadas à de aveia vão ter redução de produção. A redução de produtividade por hectare ocorre também em quatro lavouras (em vermelho os indicadores em queda entre 2011 e 2010). As produções de Algodão, Arroz, Batata, Cacau, Feijão, Milho e Soja, além de maiores do que em 2010, serão recordes históricos, e, portanto, as responsáveis pelo recorde histórico geral no ano.

A lavoura de cana abrange 10 milhões de hectares e produz mais ou menos 700 milhões de toneladas, ou seja, em volume é disparada a maior lavoura do País, com uma produtividade em quilos por hectare muito grande, por isso um quadro que conste a cana-de-açúcar distorceria o resultado geral. O que preocupa com relação à cana não é a alimentação na mesa dos brasileiros e sim o custo do combustível e pressões de preços internacionais dado que o Brasil é um grande player na produção de cana (o maior do mundo) e de álcool (só perde para os Estados Unidos).
Internamente o que pode - e deve - ocorrer no início de 2012 é mais uma alta no preço do álcool nas bombas dos postos de gasolina. Em parte essa alta vai ser amortecida pelo fato de que os quase 3 milhões de carros vendidos no País podem ser abastecidos também com gasolina. E sempre há a possibilidade de redução na mistura de álcool na gasolina. Em termos de pressão por conta de alimentos, isso somente ocorrerá se a demanda mundial crescer fortemente, e não por problemas de safra. De qualquer forma, se de um lado o aquecimento da demanda mundial pode pressionar nossa inflação, de outro , o País vai receber mais um ano de bônus internacional sob a forma de preço de commodities e, nestes casos, a entrada de dólares pode valorizar ainda mais a moeda e fazer parte do combate a inflação pela via cambial. Aí é uma questão de escolha. Pior ainda é a situação daquelas economias que pagam o preço alto e não têm ao menos o benefício do bônus de ser um produtor de commodities nesses tempos.
Assessoria Técnica