terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Mercados andam muito racionais

Na última semana houve um ajuste nos preços do Ibovespa, que depois de terem atingido o máximo de quase 66 mil pontos neste ano, fechou ao redor dos 64 mil pontos. Na realidade, os mercados de ações e de câmbio estão extremamente racionais neste início de ano, indicando que não convém jogar contra a maré, ou tentar conter ou fixar preços, seja de ações, seja do dólar ou euro.

Os mercados estão indicando um grau de confiança relativamente alto na economia brasileira e, por isso mesmo, a Bolsa tem subido e o dólar caído, apesar da queda de juros recente. Os motivos existem para essa crença: desemprego em queda continuada, rendimentos em alta, indicadores macroeconômicos relativamente bons. Consumo deve prevalecer como a variável que puxará a economia mais um ano - e talvez por alguns anos no Brasil e seus parceiros emergentes. Neste ambiente, é inútil e até contraproducente tentar conter o câmbio (com a entrada de bilhões de dólares de investimentos diretos), e não faz sentido apostar na desindustrialização, ainda que o setor cresça menos do que a média neste momento. Para completar o cenário, a recuperação americana parece cada vez mais evidente, o que dará novo fôlego para a economia mundial.
A queda do Ibovespa na sexta – dado que de segunda a quinta o índice estava estável – não deve ser atribuída aos problemas com a Grécia, dado que a rigor os dias de impasse foram terça e quarta-feira. O Ibovespa reagiu mesmo aos maus resultados da Petrobras, frente ao que era esperado, como deve reagir um índice de ações concentrado em poucas empresas como nosso caso. O resultado da semana se deve também à realização de lucros de um mês muito bom neste início de 2012. Nada mais racional do que isso. A rigor, os resultados da Petrobras também nos fazem pensar o porquê da troca de comando na empresa.




Assessoria Técnica

FecomercioSP debaterá a o impacto da evolução da Classe Média no varejo

A FecomercioSP lança no dia 29 de fevereiro o estudo “A evolução da classe média e o impacto no varejo”. O crescimento da classe média continuará forte.

Em 2015, com uma população superior a 200 milhões de habitantes, a classe C será a força do País, representando mais que a soma do consumo das famílias das classes A e B. O Brasil de 2020 será um dos maiores mercados consumidores e uma das maiores economias globais.

O consumidor brasileiro, que já evoluiu do consumo básico para um patamar mais sofisticado, vai demandar cada vez mais serviços e produtos de alta qualidade. Para 2020, a estimativa é que o Brasil tenha um PIB de R$ 5,41 trilhões, um aumento de 40% em relação à previsão para 2011.

O evento será realizado na sede da entidade, na capital paulista, das 11h às 13h00. Inscrições pelo e-mail classemedia@cardseventos.com.br e pelo fone 11 3078 7592.


Assessoria Técnica

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Conforme apostamos, sai acordo grego

Vamos passar por vários momentos como o desta semana. Sempre que os vencimentos da Grécia estiverem chegando perto, haverá um período de terrorismo dos gregos mostrando que não existem condições de quitação das dívidas sem aporte de dinheiro do BCE, FMI e outros organismos multilaterais. Do outro lado, estarão os diretores desses órgãos multilaterais e alguns líderes nacionais (Ângela Merkel e/ou Sarkozy) pressionando os gregos com seu terrorismo: vão acenar que para a Grécia receber o aporte de recursos, terá que trazer uma contrapartida à mesa de negociações. No final, cada lado cede um pouco e sai um acordo: nem tão bom para sanar o problema de forma definitiva e nem tão ruim que jogue os mercados no caos.

Existem dois times de analistas apostando pesado nesse jogo, e ambos têm perdido para aqueles mais cínicos e frios. O primeiro time aposta numa ruptura. No mercado são chamados de “vendidos”, ou seja, vendem ativos (todo tipo de ativo, financeiro e não financeiro) ao preço presente, esperando comprá-los mais baratos logo adiante, quando o fim do mundo chegar e todos estiverem de pires na mão. O segundo time é super otimista e crê numa solução rápida e definitiva. Esse time dos “comprados” adquire ativos, esperando que este seja o fundo do poço e que em breve possam realizar seus lucros vendendo caro suas posses que compraram baratos. Afinal, para eles a Grécia sairá da crise, assim como toda Europa e os problemas como desemprego, baixo crescimento e consumo fraco vão sumir ao longo deste ano. Claro, neste cenário os preços dos ativos subiriam rapidamente na Europa e no mundo.
Nossa aposta é bem mais chata, quase óbvia, e que não tem muito lugar na mídia: não há grandes possibilidades da ocorrência dos eventos acima. A tendência é de que a situação continue a se arrastar e, quando o momento se tornar mais agudo, embates entre credores e devedores surgirão, e novamente FMI, BCE, Bancos Centrais, Governos, serão chamados a participar das negociações. Nossa aposta se baseia nos mais claros argumentos:

1.         Nada mudou a favor da Grécia (ou de seus parceiros de desolação como Itália, Portugal, Espanha e Irlanda). A crise interna continua, as reformas impõem custos políticos pesados e o baixo crescimento será a toada nos próximos meses, talvez mais de um ano;
2.         Nada mudou contra a Grécia e seus parceiros endividados: os credores e a Europa em si não podem permitir que haja uma ruptura no sistema político desses países e sabem que terão que imprimir lentamente a sua agenda de austeridade e reformas para os devedores.

O ministro grego Papademos discutiu durante vários dias uma forma de chegar a um acordo em torno das medidas de austeridade exigidas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional em troca da liberação de um empréstimo adicional de 130 bilhões de euros para o governo grego, evitando assim um calote no pagamento de bônus previsto para 20 de março. De seu lado, o governo cortará mais de três bilhões de euros em gastos neste ano, reduzirá os benefícios aos aposentados e também diminuirá o salário mínimo em 22%, segundo o rascunho do documento sobre o acordo firmado entre os líderes, que foi obtido ontem pela imprensa. Ambos lados devem se resignar de não poderem reagir de forma diferente, mais altiva e incisiva. Cada um por seus motivos. Vamos conviver com essa “lenga-lenga” por um bom tempo.

Assessoria Técnica

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Duas notícias vão abalar a Páscoa

Duas novidades devem sacudir o mercado nesta Páscoa:

1.         A indústria de chocolates prevê lançar 90 novos produtos entre ovos, colombas e caixas de bombons;

2.         O brasileiro não come muito chocolate.

Na realidade, o início desse texto é irônico, e não visa gerar nenhum espanto nos leitores. Claro, na Páscoa é natural que as empresas em disputa criem vários produtos novos, ou versões renovadas de produtos antigos, mas quem ler com atenção vai perceber que, no final do dia, ainda se tratam de ovos, colombas e bombons, como era em 2011, ou em 1950. De outro lado, o consumo per capita de chocolate no Brasil é realmente baixo, quando comparado com a Europa, por exemplo: enquanto o brasileiro consome cerca de 2,2 quilos por ano, na Europa essa média atinge mais de 6 quilos. Também não é grande surpresa, dado que o europeu tem um nível de renda um pouco maior do que o brasileiro, e devemos levar em conta que o clima aqui não estimula tanto o consumo de doces e chocolates como nos Alpes Suíços.
O importante, no entanto, é entender como os comerciantes estão se preparando para a Páscoa e quais as perspectivas. Isso sim é relevante, até porque a Páscoa é a primeira data comemorativa do ano, e será um bom termômetro para antecipar o ânimo dos consumidores convertido em compras em 2012. Especialistas no setor esperam crescimento de 25% a 30% nas vendas de chocolate neste ano. Se esse número se concretizar, certamente poderemos começar a pensar em novos números para o desempenho do ano. Sendo ou não o crescimento desta magnitude, uma informação já pode ser tirada: a expectativa é positiva.

Ao longo do primeiro semestre, três datas são relevantes para o Comércio: Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Namorados. Claro, isoladamente essas datas não podem carregar a responsabilidade de imprimir o ritmo do ano a todo varejo, porém para os setores diretamente afetados (chocolates e doces na Páscoa e vestuário e eletros no Dia das Mães e Namorados) o desempenho pode ser decisivo para o resultado do semestre e, talvez, do ano. Mais ainda, bons resultados  nesses setores diretamente envolvidos, provavelmente são termômetros da economia, ou seja, do emprego, da renda e da confiança. Portanto, o desempenho nas datas comemorativas tem que guardar correlação com o desempenho econômico geral. Dificilmente a economia está em recessão e ao mesmo tempo o desempenho das datas comemorativas é bom, ou vice-versa. Por isso, a primeira data, a Páscoa, é esperada com certa ansiedade pelos analistas.

Assessoria Técnica

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Mercado eleva estimativas para PIB e inflação

Os mercados estão apostando em um PIB crescendo 3,30%, um pouco mais do que os 3,27% previstos anteriormente. Para o IPCA a aposta subiu de 5,28% para 5,29%. Na realidade os movimentos entre uma projeção e outra foram muito modestos, mas indicam que gradativamente as projeções do mercado, divulgadas no boletim Focus do Banco Central (http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp) estão convergindo para o mesmo patamar das projeções feitas pela FecomercioSP no final de 2011. 

A FecomercioSP no final de 2011 divulgou suas expectativas para este ano. Na realidade não temos a pretensão de acertar na segunda casa decimal. A rigor, não temos precisão e não acreditamos que alguém chegue a essa sofisticação. Exatamente por isso traçamos um cenário básico, que consideramos ter mais de 80% de chance de ocorrer e outros alternativos para melhor ou para pior, com menos de 10% de chance para cada um.


Em se tratando apenas do cenário provável, na realidade o risco está na necessidade de novas projeções mais elevadas tanto para a inflação quanto para o PIB. Os técnicos da FecomercioSP ainda estão bastante confortáveis com a projeção do IPCA, mas começam a identificar sinais que podem pressionar o crescimento um pouco para cima. Ao final do primeiro trimestre provavelmente serão feitos ajustes nas projeções e a tendência é de melhorar a projeção do PIB, reduzir um pouco o déficit em contas correntes e elevar a aposta para a balança comercial. Enquanto isso, vamos acompanhando o desenrolar dos fatos.

Assessoria Técnica

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Espaço para cair

Uma análise mais detida sobre os números do PIB e das principais atividades econômicas no Brasil, no Estado de São Paulo e na capital paulista, mostra que o processo de transformação econômica favorável ao setor de Serviços ainda tem um longo caminho a ser perseguido. Foram inúmeros os artigos e estudos escritos no âmbito da FecomercioSP que justificam a adoção de uma nova política econômica no Brasil que, em primeiro lugar, dê ao setor terciário o status que o setor merece. Em segundo lugar, que pense em um novo modelo educacional no Brasil que contemple as alterações dinâmicas e as necessidades do mercado de trabalho, ao invés de apenas reformar um modelo de conceito antigo, que foi adequado para o Brasil industrial pós Getúlio Vargas. O quadro abaixo mostra como a participação do setor de Serviços cresce na medida em que o PIB/Capita aumenta.
Neste sentido, o título é voltado para a constante – e recente – disposição do setor industrial em pressionar o poder público para adoção de medidas protecionistas, ou mesmo pelo seu esforço em capturar os formuladores de políticas econômicas. Esse fato fica evidenciado pela enorme distorção no fomento que o BNDES, por exemplo, faz ao setor Industrial em detrimento do setor de Serviços.  A indústria hoje representa menos da metade do emprego e do produto nacional que é gerado no terciário. Ou seja, as políticas tradicionais e protecionistas, além de prejudicarem o andamento da economia em seu todo e de reduzirem o bem-estar dos consumidores que se veem com menos opções e pagando mais caro, são, no final do dia, ineficazes e ineficientes. Essas políticas protecionistas, voltadas ao tradicional conceito de economia industrial, apenas atrasam o inevitável: o avanço do setor mais dinâmico da economia, em paralelo ao aumento de renda e consumo.  Por isso mesmo, podemos dizer que ainda há espaço para a indústria ver sua participação na composição do PIB cair.
Nos Estados Unidos, onde a indústria representa 22% do PIB e o setor de Serviços mais de 76%, o PIB per capita é, em termos arredondados, R$ 90 mil. No Brasil, o PIB per capita é de R$ 21 mil, no Estado de São Paulo R$ 34 mil, e na capital de R$ 44 mil. Parece evidente que, quanto maior a renda local, maior a participação do setor terciário no PIB. A relação causal é difícil de estabelecer. O setor de Serviços cresce por que a renda é alta ou a renda é alta porque o setor de serviços é preponderante na região? Essa pergunta tipo “Economia Tostines” tende a ser respondida assim: na realidade os fenômenos ocorrem em paralelo. Portanto, se o Brasil hoje tem um setor industrial que responde por 27% do PIB e Serviços respondendo por 67% do PIB, é bom imaginar o futuro próximo (o início da próxima década, provavelmente) com uma participação do setor industrial menor do que 25% e contar com mais de 70% do produto sendo gerado no setor terciário.

O crescimento da renda sofistica o consumo, e esse novo consumidor, depois de se abastecer de produtos agrícolas básicos (na feira) de estar com a casa repleta de bens duráveis e com um carro na garagem, vai aumentar significativamente seu consumo de lazer, planos de saúde, academias, educação, cinema, teatro, TV a Cabo, Internet, Telefonia Móvel entre outros serviços.
 

Assessoria Técnica

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Muito mais do mesmo

Agora são cinco semanas seguidas de altas no Ibovespa, que acumula no ano crescimento de quase 15% e as mesmas cinco semanas de queda no dólar. Na realidade o que ocorre no câmbio é a alta do real, pois a nossa moeda se valorizou frente a todas as outras e não somente frente ao dólar. Nossos boletins vinham alertando para esse comportamento há bastante tempo, dois meses ao menos. Vamos aos motivos:
Para o Ibovespa:
1.         O País continua a receber forte fluxo positivo de investimentos estrangeiros, sejam diretos, sejam em portfólio;

2.         A tendência de juros é efetivamente de baixa;
3.         O risco Brasil é baixíssimo e o País encontra condições macroeconômicas melhores do que quase todos outros países do mundo;

4.         Em termos de economia com mercado interno robusto, o Brasil hoje disputa apenas com a China (e vai começar a disputar um pouco mais com a Índia) a preferência dos investidores;
5.         As empresas de diversos setores (energia, varejo, imobiliário, bancário e commodities) devem ter desempenho positivo nos próximos anos;

6.         O ambiente externo é ruim, principalmente na Europa, mas pouco a pouco a percepção é de baixo grau de contágio no Brasil. Além disso, nossa aposta é de que a Europa perturbe o cenário de vez em quando, mas não vemos nenhuma ruptura do Bloco ou do Euro no meio do caminho.
Para o câmbio grande parte das explicações se mantém. O fluxo de recursos externos, pelo Brasil ser um país com tendência de crescimento elevado com mercado interno robusto e pela fraqueza de outras economias importantes no momento, tende a ser muito positivo, o que valoriza o Real. Exatamente por isso, em todas as intervenções que o governo fez para desvalorizar nossa moeda, nossas análises apostavam na ineficácia das mesmas. Não dá para combater a maré remando sozinho. Entendemos que para a indústria, o momento não é bom, mas adotar medidas protecionistas por um lado e de intervenção no câmbio de outro, somente vão retardar o inevitável, e ainda vão causar forte dano e atraso para o resto da economia. Os ganhos de competitividade que o País pode e deve perseguir estão na educação, na redução da carga tributária, na queda dos juros, e nunca no IOF e no Imposto de Importação ou nas normas burocráticas alteradas diariamente. Já se passa mais de um ano que esse tem sido o caminho adotado pelas autoridades, e os efeitos deveriam ter servido de alerta: não vai funcionar, apesar de criar um ambiente de incertezas indesejável.

A maré deve continuar em média positiva, mas devemos sempre ter atenção para as possíveis realizações de lucros nas bolsas e para novas medidas do governo tentando conter o câmbio. No curto prazo esses fenômenos podem afetar o desempenho dos mercados, mas no longo prazo acreditamos que o Ibovespa será positivo e o Real deve se manter valorizado.

Assessoria Técnica