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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Carro é muito caro, no Brasil

Um estudo recente encomendado pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos (Anfavea) para a PriceWaterhauseCoopers (PWC) confirmou o que todos nós já sabíamos: produzir no Brasil é muito mais caro do que em outros países emergentes. O Brasil já tinha uma carga tributária europeia com serviços públicos africanos. Agora contamos também com custos alemães e produtividade latino-americana. Essa dualidade entre custos e produtividade não é compatível com a competitividade internacional. Se o Brasil apresenta tributos e custos elevados, ou terá que produzir com qualidade de país desenvolvido, ou perderá mercado. A outra alternativa, é redesenhar nossa cadeia produtiva, redimensionando nossas prioridades. Investir no País não pode ser apenas um esporte sazonal para estrangeiros, quando o resto do mundo não vai bem. Se o País pensar estrategicamente, vai resolver grande parte dos problemas desonerando a cadeia produtiva, de forma geral, não apenas no conceito tributário.

O estudo revela fenômenos muito curiosos, que muitas vezes somem do nosso radar nas análises. Como a carga tributária é a suspeita usual ao lado momentaneamente da valorização da moeda, deixamos de lado a análise do custo da mão-de-obra, da matéria-prima, dos juros sobre o capital de giro e da falta de qualificação profissional superior no Brasil. Tidas essas variáveis foram cotejadas no estudo, que acabou por se tornar uma bela radiografia para o setor automobilístico, e que, provavelmente, seria irmã gêmea de outras radiografias em diversos setores do país.

Nessa tabela, para cada US$ 100 gastos na China em cada atividade, verifica-se que no Brasil os mesmos custos vão de US$ 140 a US$ 408, ou seja, muito acima do diferencial de qualidade do produto final. A produção de um carro no Brasil é 60% mais cara do que na China, ou, de outra forma, descontando-se outros fatores como impostos diretos e indiretos, juros, custo administrativo, burocracia, seguros e fretes, um automóvel que custa R$ 48 mil no Brasil custaria R$ 30 mil na China apenas segundo esses critérios.

Todavia esses argumentos não explicam porque um automóvel fabricado no Brasil é vendido mais barato no México do que aqui, no País de origem. Quando se contabilizam adicionalmente os custos acessórios da burocracia tributária, os custos de seguro, da energia, o elevadíssimo custo de financiamento da produção (45% no Brasil contra 5% na China e 7% no México), o diferencial começa a ser explicado. Além disso, os custos de venda não são os mesmos, pois o varejo, lá e aqui também, agrega valores e certamente tem custos, como mão-de-obra, impostos diretos, custo administrativo etc.  Claro, pode haver também um diferencial de lucro entre um país e outro, mas vamos pensar: se a margem de lucro explicasse toda essa diferença, o Brasil estaria recebendo uma enorme quantidade de empresários querendo abrir concessionárias de veículos, e, a rigor, muitos desses negócios deixaram de ser atrativos há muito tempo. De qualquer forma, são muitas as variáveis, como se vê, que explicam os elevados preços de automóveis, e também devem ser os mesmos que fazem nossos computadores, geladeiras, TVs, celulares e até Big Macs serem os mais caros do mundo.

Assessoria Técnica

terça-feira, 7 de junho de 2011

Preços ao produtor em abril confirmam desaceleração

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) apresenta indicações claras de desaceleração da atividade econômica, depois de ter atingido o patamar de quase 7% de alta acumulada até fevereiro. O IPP subiu 0,34% em abril e já está “rodando” no patamar de 4,5%, ou seja, em conformidade com a meta de inflação.

Os preços ao consumidor têm, nos últimos meses, sofrido elevação superior aos do produtor, indicando que a pressão inflacionária não advém da demanda, mas é produto de custos no canal da oferta. Provavelmente em breve esse arrefecimento dos custos na indústria deve chegar ao varejo, convergindo o IPCA ao IPP.

A tabela em anexo detalha a difusão dos preços ao produtor, mostrando que 13 dos 23 setores considerados registraram alta. Provavelmente essa difusão também vai ficar menor nos próximos meses, mas a atenção deve ser direcionada para os segmentos de produtos têxteis e alimentícios. Foram os setores responsáveis pelas maiores altas no último ano (27,12% e 16,8%, respectivamente), sendo que as pressões sobre alimentos parecem estar se dissipando, mas sobre os têxteis continuam fortes, principalmente pelo aumento do algodão.

Outro setor importante é o de produtos químicos, que apresentou alta acumulada em 12 meses de 13,43% e, em abril, na margem, ainda mostra fôlego aumentando em média seus preços em 0,56%. Da mesma forma, os produtos derivados de petróleo subiram muito e continuaram bastante pressionados. Como se vê, apesar da redução do ímpeto inflacionário na indústria, setores muito relevantes mantiveram taxas elevadas de variação de preços.

A Fecomercio lembra que, em várias oportunidades, alertou para o caráter não inflacionário do consumo das famílias e os dados de inflação ao produtor de certa forma comprovam essa tese. A alta da Selic vai se mostrar desnecessária (na magnitude aplicada) e trará efeitos muito ruins sobre o emprego e a economia de modo geral.

A partir do segundo semestre deveremos vivenciar dias de produção muito mais modesta e provavelmente o mesmo ocorrerá com o consumo das famílias. O indicador de preços ao produtor não está gestando o IPCA, mas certamente existe uma correlação entre ambos, e o norte causal indica que a pressão tem origem nos custos de produção, que por sua vez se originaram em grande medida no setor externo, amplificados pela atuação do BC para conter a valorização cambial, que, em resumo, era a válvula de escape dessas pressões inflacionárias.

Assessoria Técnica